Uniformes inteligentes caçam gazeteiros

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Ouvi esta matéria hoje cedo na CBN. Notícia do Gilberto Dimenstein imediatamente resolvi escrever um artigo descendo o pau nessa idéia de Prefeitura de Vitória da Conquista. Mas, mudei de idéia.

Pense comigo. Vitória da Conquista é uma das maiores cidades da Bahia, sem pesquisar muito e falando de memória. No interior, só deve perder para Feira de Santana. Certamente dispõe de recursos próprios suficientes para equipar todos uniformes dos cinquenta e tantos mil estudantes matriculados na rede municipal.

Não, pera aí… errei. Todos os recursos das prefeituras são públicos, então não são da prefeitura são seus. Mas, por outro lado, o problema é grave. Afinal não temos uma forma barata de saber se o estudante está ou não na sala de aula e este é um problema complexo. Eu sei como é. Dou aulas.

Pensando nisso, lembrei de uma coisa. Há aqui em Curitiba e, no Rio de Janeiro também, uma tecnologia que usamos para esta finalidade. É meio complicado mas vou tentar explicar. Funciona assim. Existe uma lista, impressa em papel, com o nome de todos os estudantes matriculados na turma. O professor entra em sala e lê a lista marcando um P ao lado do nome de quem se encontra presente e um F ao lado do nome do estudante que faltou. Eu sei é meio complicado. Afinal nem sempre os estudantes sabem o próprio nome ou fazem silêncio para escutar. Chamamos aqui de “CHAMADA”.  Pode ser uma alternativa mais viável.

Na verdade, eu acho a idéia boa. Imagine, com tantas responsabilidades ainda exigir dos professores que façam uma chamada. Seria um disperdício do tempo preciso dos professores. Usamos este tempo para ensinar e garantir a qualidade dos profissionais, pesquisadores e cidadões do futuro. Além disso, sempre há aquele coordenador que, mesmo com o professor dando falta, abona as faltas dos alunos. Afinal, se muitos forem reprovados as verbas que a cidade recebe serão diminuídas. E, sejamos honestos, ninguém quer perder as verbas que ajudam nossas crianças terem este elevando índice de aproveitamento que vemos todos os dias nas Faculdades, imprensa e contatos com o público em geral.

Não podemos esquecer que é graças a estas verbas que algumas cidades ficam entre as melhores do Brasil. Por acaso, Curitiba tem as melhores notas entre as capitais (5,7), olhe lá que este é o primeiro ano que o melhor ensino tem nota maior que 5.  No ideb de 2010 Vitória da Conquista teve nota 4,3. A melhor forma alunos mediocres a outra forma alunos insuficientes. Um na média e outro abaixo dela. Abaixo da média fica reprovado.

Mentira, fica não, tem sempre um trabalhinho de recuperação. Afinal, não podemos esquecer a história da verba.

Então, com tudo isso, acabo concordando. Acho que a Secretaria de Educação de Vitória da Conquista teve um ideia excelente.

O dinheiro não é deles é nosso. Não temos uma solução melhor, como a chamada. Não podemos reprovar alunos por falta ou capacidade. Então por que não usar o chip. Ele vai permitir que a prefeitura continue o excelente trabalho que vem fazendo na educação(4,3). Isso sem falar que, existe uma change grande de que a empresa que vai fornecer os chips deve ser de algum amigo, pagar alguma propina ou fornecer caixas de vinho para os políticos. Temos sempre que pensar nos políticos honestos. Afinal com esta educação tão boa, nossos cidadãos são perfeitamente capazes de fiscalizar os seus políticos.

Gostaria, humildemente, sugerir um aprimoramento da ideia. Poderíamos, por exemplo, inserir o chip de forma subcutânea já no exame do pezinho. Assim, não os perderíamos de vista nem um minuto e poderíamos  rastrear toda a cadeia de produção. Espere, me confundi. isto é para gado. Por outro lado, como o governo, em todos os níveis, já trata a educação como se as crianças fossem gado. Um chip a mais, que diferença faz.