Acautelaivos, o Sol acordou

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No dia 06 de dezembro de 2010, nossos telescópios, satélites e observatórios em geral, voltaram a registrar altos níveis de atividade solar. O Sol acordou e está rumando para um período de atividade máxima.

A foto que ilustra este artigo mostra uma ejeção de plasma com pouco mais de 800.000 quilômetros de comprimento e 111000 de largura. Alguma coisa com o comprimento de duas vezes a distância da Terra a Lua no seu apogeu. Uma das maiores ejeções de plasma notada nas últimas décadas.

Não trouxe nem trará nenhum aborrecimento para os pobres terráqueos, não afetou nem afetará as comunicações, não estava apontada em nossa direção e sequer é uma das maiores já registradas. É importante apenas por causa da magnitude e da beleza e por que, provavelmente marca o fim do mínimo solar.

Erupção Solar, início do período de máximo solar, cortesia do  Observatório solar da Nasa

Como você sabe o clima em nosso amado planeta depende dos humores do Sol. Estamos na, por assim dizer, atmosfera do Sol. Se por acaso a atmosfera do Sol esquentar as coisas aqui ficarão quentes.

O que talvez você não saiba é que o Sol tem ciclos de atividade, descobertos nos anos 1800 pelo astrônomo alemão Heinrich Schwabe. O quê o sr. Schwabe descobriu foi uma regularidade, ciclos, na quantidade de manchas solares. Manchas solares, são pontos do tamanho de planetas que de tempos em tempos aparecem na superfície do Sol, fruto das explosões que ocorrem internamente e do retorno de ejeções de plasma como a que vimos ontem a superfície. Esta atividade provoca alterações na magnetosfera do Sol, ejeta grande quantidade de massa e radiação e, eventualmente chega a criar sérios problemas com nossos dispositivos eletrônicos. Esta atividade também provoca um significativo aumento da temperatura da coroa solar e da, por assim dizer novamente, atmosfera solar.

O ano de 2009 marcou um mínimo solar. Chamamos de mínimo solar o período onde observamos o menor número de manchas solares. Mas não foi um mínimo qualquer, foi o menor mínimo em um século Outros sinais como a pressão do vento solar ou a quantidade de irradiação também apresentavam sinais claros que em 2009 estávamos experimentando um mínimo solar.

Observe que neste período de mínimo solar, quando a temperatura do grandão estava ridiculamente baixa nós, pobres inquilinos temporários desta rocha, continuamos observando sinais claros de aquecimento global. Provocados, como você está roxo de saber e ouvir falar, pelo tal do efeito estufa. É aqui que a imagem deste artigo fica importante.  Essa ejeção de plasma mostra o início do máximo solar.

Esta história de máximos e mínimos, são apenas uma observação do que acontece no Sol. Quando observamos isto não tínhamos um milésimo da tecnologia que temos hoje, ainda assim foi possível definir um ciclo de 11 anos que, ao longo dos últimos dois séculos se mostrou muito preciso, vamos considerar, só por um momento que esteja certo. Então, faça as contas comigo: 11 anos de ciclo implica em 5,5 anos em sentido crescente e 5.5 anos em sentido decrescente. Voltando ao início do parágrafo: Essa ejeção de plasma mostra o início do máximo solar ou seja, teremos 5.5 anos de acréscimo na atividade solar, 5.5 anos de acréscimos na temperatura da atmosfera solar. CINCO E MEIO ANOS DE ACRÉSCIMO NA TEMPERATURA DA TERRA.

Você estava preocupado com o efeito estufa? Não se preocupe, você ainda não viu nada! A coisa pode não ser tão linear como estou mostrando aqui. O objetivo era simplificar e mostrar o que está por vir.

Ps. Nada como um pouco de otimismo para começar o dia. 🙂