O Lítio, a Bolívia e mais uma oportunidade para a América Latina

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A maior parte das baterias modernas são baseadas em compostos reagentes de lítio tornando esse metal uma das commodities mais valorizadas e com maior potencial de mercado. As maiores reservas conhecidas até o momento estão na América do Sul. A maior ainda não explorada está na Bolívia

Oportunidade para a Bolívia - Lítio

 photo credit: Libertinus

O Salar de Uyuni deve ser a coisa mais próxima do nada que a natureza criou. Um imenso deserto de sal vazio, sem uma árvore, sem vida aparente, apenas um nada enorme feito de sal. Está assim desde que o conhecemos, desde o tempo dos Incas e provavelmente estaria assim eternamente não fosse um pequeno detalhe: Enfie uma pá no chão e encontrará água saturada de sal e lítio.

Com reservas conhecidas de 5,4 milhões de toneladas, só no Salar de Uyuni, segundo o programa de recursos minerais estadunidense a Bolívia está para o lítio assim como o Iraque está para o petróleo.  Oportunidade única para um dos países mais pobres do continente, não fosse o tempo.


 photo credit: Myself248

A General Motors, a Toyota, a VolkWagem e a Honda estão entrando no mercado americano com carros híbridos, ou totalmente elétricos, com grandes baterias de compostos salinos, polímeros ou ligas contendo lítio. Além disso, há alguns anos o metal reina absoluto em laptops, mp3 players, celulares, aparelhos de barbear e toda a traquitana moderna que usa baterias recarregáveis.

As universidades e institutos de pesquisa estão em uma corrida louco para encontrar a melhor combinação de lítio com qualquer coisa, para fazer a bateria que dure mais, carregue mais ou acumule mais energia em uma busca frenética para aumentar a eficiência das traquitanas que carregamos no bolso. O resultado disso é que existem hoje mais de 50 tipos diferentes de baterias usando o Lítio em seus elementos e que o consumo do metal branco, pálido e leve atingiu níveis estratosféricos. A produção mundial de 2008 exemplifica bem a situação atual:

País Produção em 2008 Reservas Reserva Base
Argentina 3200 —- 6.000.000
Australia 6900 170.000 220.,000
Bolivia —- —- 5.400.000
Brasil 180 190.000 910.000
Canadá 710 180.000 360.000
Chile 12,000 3.000.000 7.520.000
China 3,500 540.,000 1.100.000
Portugal 570 —- —-
EUA 1000 38.000 410.000
Zimbabwe 300 23.000 27.000

Sem tecnologia para explorar as reservas de Lítio, o Governo Evo Morales tem afirmado internacionalmente que deseja criar joit-ventures com empresas estrangeiras sem abrir mão da soberania nacional e fomentando o desenvolvimento da Bolívia. Uma atitude que poderá, a longo prazo, trazer prosperidade e desenvolvimento aos Bolivianos. Existem empresas japonesas, francesas e norte americanas na mesa de negociação mas, o processo está emperrado graças ao histórico de quebras de contratos da Bolívia, as novas exigências do governo e a relutância internacional.

O problema histórico de instabilidade governamental e de quebras de contratos, notadamente de exploração de recursos naturais (salitre no século XIX e gás no século XXI, para citar apenas dois) está dificultando a troca de tecnologia de mineração e inviabilizado a instalação de negócios com capital externo no país. Até que impasse seja decidido, o governo criou uma estação mineradora para pesquisas no Salar de Uyuni.

reservesNa América latina temos dois exemplos de uso de recursos naturais para o desenvolvimento do país: O sucesso da Petrobrás que se tornou uma das maiores empresas do setor, sem permitir a grilhagem estrangeira e, recentemente recebeu investimentos de 10 bilhões de dólares chineses para a exploração do présal e a Pemex do México que usou praticamente 100% dos seus recursos para alimentar o governo e se encontra sem reservas e sem folego para expansão, sufocada pelo Nafta.

A Bolívia poderia partir para um modelo baseado no modelo da Petrobrás mas o tempo urge e a concorrência ruge.

O Chile, cujas reservas de Lítio provavelmente são maiores e estão no deserto de Atacama, região anexada ao estado Chileno graças a guerra do salitre. Provocada por uma quebra de contrato do governo Boliviano, segundo os livros de história chilenos e pela ganância do Chile segundo os livros de história bolivianos. A guerra começou graças a um contrato de exploração por industrias chilenas do salitre boliviano, se estendeu até o Perú e terminou com a vitória do Chile. Hoje este mesmo território já está explorando e produzindo Lítio de boa qualidade, a baixo custo e em grande quantidade.

A concorrência doméstica, se podemos falar assim, não é limitada ao Chile, a Argentina e Brasil cujas reservas ainda não foram sequer documentadas também são produtores e entraram na corrida pelo lítio.  Com vantagens para o Brasil que apesar de ter uma produção muito pequena, além de explorar o lítio, já produz baterias de alta tecnologia e já está desenvolvendo alternativas comercialmente viáveis.

A oportunidade da Bolívia fica cada dia mais distante graças aos avanços da tecnologia o reinado do lítio esta para ser abalado. Contudo, há uma esperança.

O lítio tem uso medicinal em várias mazelas. Não que se saiba como ou porquê ele funciona. Pode ser usando para combater problemas hormonais, dedo sangrando e distúrbios bipolares. Existem até cidades estadunidenses querendo incluir o Lítio na fórmula da água potável para combater os distúrbios bipolares ou maníaco depressivos.

O cara depijama acredita que a demora do governo Evo Morales vai condenar o Salar de Uyuni a ser exatamente o que ele é há milhares de anos: Um grande e belo nada.

Dados do International Lithium Alliance