O Latex entra na história

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O LATEX entra na história

Ninguém é perfeito. Além de não entender hexa a absoluta maioria da população mundial detesta trabalho. Trabalho extra então… nem pensar! Percebendo que boas intenções não bastam e que digitar algumas centenas de caracteres desnecessários no texto principal só para obter o efeito desejado no documento impresso não seria, nem uma boa estratégia de marketing, nem um forte argumento a favor do uso do TEX, o Sr. Knuth dotou-o da capacidade de usar macros.

Macros são conjuntos de caracteres armazenados que podem ser chamados com poucos toques no teclado. Esses conjuntos de caracteres – já posso chamar de macros? – Facilitam a digitação e a preparação dos textos. Documentos compostos de um conjunto destas macros com um objetivo específico é chamado de formato.

O próprio Sr. Knuth criou um formato, o plain, que foi muito popular durante algum tempo e ainda hoje tem muitos seguidores (deveria ter dito fervorosos torcedores em uma referência aos hooligans). Com macros ou sem macros, com fanáticos ou sem fanáticos, o TEX é excessivamente complexo e, eventualmente, prolixo.

Em 1985 entra em cena Leslie Lamport  (Lamport, 2009), enquanto planejava um novo livro acabou criando um novo formato para o TEX com um conjunto de macros que acrescentava diversas funcionalidades ao sistema e tornava a preparação do texto mais simples e direta. O Sr. Lamport usou o engine e sistema de macros do TEX para criar uma descrição declarativa de um documento baseado na linguagem de marcação Scribe, desenvolvida 1982 por Brian Reid (Mittelbach & Goossens, 2004).

Em 1986 esse trabalho foi publicado no livro LATEX: A Document Preparation System e, mais tarde deu origem a um projeto web chamado HTTP://www.Latex-project.org onde colaboradores do mundo inteiro ajudam a manter as macros e a expandir a linguagem mantendo-a moderna e eficiente.

O Scribe foi muito importante para o desenvolvimento da tecnologia de processamento de texto por ser a primeira vez que alguém criou uma linguagem de marcação que separava a estrutura do texto de seu formato. Algo que ainda hoje perseguimos avidamente vide HTML e CSS. Há aqui uma interessante relação histórica entre Brian Reid (Reid) e o movimento do software livre ainda em sua fase embrionária. Na primeira versão comercial de um editor de textos baseado no Scribe, o Sr. Reid concordou em colocar algumas funções de tempo que desativariam as versões gratuitas do Scribe o que criou uma celeuma com Richard Stallman.

A idéia central do Scribe e do LATEX é que o autor deve se preocupar apenas com o conteúdo e com a estrutura lógica do seu texto e não com detalhes de formatação e aparência. Este foi o ponto chave para a aceitação do LATEX

Uma vez publicado o LATEX se tornou um dos idiomas mais utilizados do TEX. Com o advento do software livre e de código aberto, do Linux e da internet o LATEX foi expandido, e é hoje uma das melhores, se não a melhor opção para preparação de textos científicos. A versão atual do LATEX é a LATEX2Є a qual será alvo deste texto.  Mesmo com a larga vantagem comercial que os processadores WYSIWYG possuem por atender a grande maioria dos usuários e sendo adepto dessa tecnologia gráfica resolvi escrever este texto e voltar ao LATEX. Por quê?

Marys Venus Heart
photo credit: h.koppdelaney

A grande maioria dos usuários não basta

Não uso látex há muito tempo. Comecei este texto assim e não disse por que resolvi voltar a usar. A razão é simples: a grande maioria dos usuários não basta.

Os editores WYSIWYG possuem um problema intrínseco e irremediável que torna o LATEX a melhor opção para uma parcela significativa da nossa sociedade. Não! Não estou falando dos cientistas malucos até por que o percentual destes não é tão alto. O problema a que me refiro é o S de WYSIWYG.

Este S representa o See (ver). Os editores WYSIWYG foram projetados e otimizados para pessoas capazes de enxergar, os videntes, e temos uma parte significativa da nossa população que simplesmente não vê, os não videntes. Para estes, além dos cientistas malucos, o LATEX é a melhor solução.

Coisa difícil mas, vamos ser honestos. Tirante os deficientes visuais e a cambada das Exatas, ninguém precisa do LATEX. Ou será que essa frase ficou excessivamente petulante? Esta é a pergunta de 10 capítulos e você terá que ler todos eles… J

Continua…