O Custo do Ubuntu

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No seu Rave Awards 2007, a Wired ventila uma informação que dá margem a uma pequena análise por parte desse seu humilde blogueiro. Diz a página que até agora Mark Shuttleworth gastou apenas US$ 25 Milhões com o Ubuntu. O que dá alguma coisa perto de US$8 Milhões por ano, ou Ainda R$17 Milhões por ano. A cifra me soa um tanto quanto exagerada, mas vamos tomá-la como sendo real.

Isso quer dizer que desde 2004 nosso amigo gastou uma soma irrisória para ter o maior suporte de mídia que um projet de software livre tem atualmente. Pagar uns 50 desenvolvedores de primeira linha para tornar o Debian Desktop em algo mais voltado para o usuário, ter seu sistema operacional instalado em Milhões de Desktops em 33 idiomas e ter milhares. Literalmente milhares de outros desenvolvedores trabalhando de graça para sua empresa. Se olharmos por esse ponto de vista. Foi barato. Bem barato. Parabéns equipe, empresa e Sr. Shuttleworth.

Conhecendo um pouco da história do Sr. Shuttleworth e admirando sua capacidade técnica e empresarial fico imaginando quais são suas verdadeiras intenções comerciais, já que seu comprometimento com a comunidade do software livre é clara. Na verdade tudo que podemos fazer é imaginar. O modelo de negócio do Ubuntu parece ser o de vender serviços para uma plataforma. Esse modelo é pífio, não combina com a personalidade agressiva que o Sr. Shuttleworth demonstrou até agora.

Predizer o futuro é coisa de maluco, mas analisar um retrato do mercado em um dado momento não é. Então vejamos em desktop, temos o velho Windão de Guerra, diversas distros linux e uma ou outra alternativa específica para sistema operacional. Acho que é unânime que a única ameaça real para a Microsoft em desktops vem das distros baseadas em Linux. E nesse caso temos milhares de competidores, mas apenas uns poucos se destacam da multidão.

Desde 2004, quando surgiu o Ubuntu que não vejo uma estatística da Netcraft ou qualquer outro órgão, sobre a taxa de crescimento das distros Gnu/Linux. Então minha opinião é baseada apenas nas matérias que leio todos os dias nas 250 feeds que assino em 4 idiomas. O Ubuntu é de longe a distro que tem maior cobertura da mídia. Tanto em sites de software livre quanto na mídia tradicional. Certamente ainda não tem a maior base instalada, mas terá. É só uma questão de tempo. E, quando isso acontecer, a Canonical valerá o peso de seus desenvolvedores somados em ouro multiplicado por um fator de mil ou mais.

Existe mais um dado a ser considerado. Na época da fundação da Canonical e lançamento do Ubuntu, ventilou-se que o investimento seria de US$50Milhões. Se for verdade, chegamos a metade do percurso.

Se eu estiver certo, lá pelos idos de 2010 a Canonical estará sendo vendida por alguns bilhões de Dolares para uma empresa maior, ou para um grupo de investidores. O que não irá alterar em nada a forma como o Ubuntu será distribuído e comercializado, mas que deixará alguns desenvolvedores bem frustrados.

O mais interessante é que temos algo aqui mesmo no Brasil tecnicamente tão bom ou melhor que o Ubuntu. Que não consegue um milhonésimo da cobertura da mídia que é dada ao Ubuntu. Chama-se Debian Br-CDD cujo
site está fora do ar.

Eu uso, defendo e dissemino o Ubuntu por questões comerciais mas se esse não é o seu caso deveria considerar o Debian BR-cdd.

Para os curiosos: a imagem que usei de ilustração vem do site Cristal Tux um site mantido por uma comunidade de designers, basicamente franceses, para adoração do trabalho do Everaldo. Designer brasileiro responsável pelos icones e temas de maior sucesso na comunidade de software livre. Essa imagem em especial pode ser encontrada aqui.

2 thoughts on “O Custo do Ubuntu

  1. Sou usuário ubuntu, mas acho que ainda falta muito para ele poder brigar de frente com o Windows. Isto porque o windows ainda é o maior formador de novos usuários, exatamente aqueles que são leigos em computação e que dificilmente se adaptam a outros sistemas. Contra isso nada adianta o enorme número de desenvolvedores… é preciso urgentemente aumentar a formação de novos usuários…

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