Na frente da Universidade

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Estou lecionando novamente. Desta vez na faculdade Spei, excelente faculdade, om um corpo docente incrível, em Curitiba. Estou na sede do centro, bem na área mais movimentada de Curitiba, o que trás algumas vantagens e algumas desvantagens. Estacionar é um inferno Por outro lado, fica perto de tudo.  Dia destes, a noite, tive uma surpresa.

Quem conhece Curitiba sabe que os governos, como era de se esperar, tentam controlar o trânsito e os problemas de estacionamento com o loteamento do espaço público, criando vagas de estacionamento cobradas em todo o centro. Algumas destas vagas são gratuitas, limitadas em tempo, e outras gratuitas para carga e descarga. Cheguei, as 19:00 quando, por um lado todos os estacionamentos já estão liberados e, por outro, todos os alunos já ocuparam todas as vagas. Bem na frente da faculdade existe um conjunto de três, ou quatro, vagas para carga e descarga. Na hora que cheguei estas vagas estavam liberadas, cheguei a parar o carro mas, vi que eram para carga e descarga e continuei até o estacionamento privado mais próximo, uma quadra de distância. Fui lanchar, comprar um livro e, uma hora depois voltei.

Já ia entrando na faculdade quando notei uma aglomeração. Alguns estudantes haviam colocado os carros nas vagas reservadas para carga e descarga e, por algum milagre, a polícia resolvera rebocar todo mundo. Juntou-se uma pequena turba em torno dos guardas. Nenhum tumulto, apenas comentários velados e ofensas escusas. Entre os revoltados havia um exemplar. Vestindo um blazer, carregando uma maleta e ostentando alvos cabelos longos, se movia entre os revoltosos. Hora incitando a revolta. Hora ofendendo os policiais. Hora questionando o trabalho dos mesmos.

Encostei na porta e fiquei ali, estudando a dinâmica do grupo. entre os policiais, um estava muito nervoso, claramente amedrontado, várias vezes levou, instintivamente a mão ao coldre. Os outros, ignorando as reclamações continuavam inabalados colocando os carros no reboque.  entre os estudantes, nenhum deles proprietário dos carros, e motos, que estavam sendo rebocados. Haviam alguns se divertindo, outros protestando e outros apenas olhando. Destacavam-se os cabelos brancos. Hora em um lugar, hora em outro. Sempre incitando a revolta. Quando encontrava ouvidos moucos se deslocava para outro ponto. Novos xingamentos, novas incitações. Movia-se de forma tão regular que cheguei a achar que fosse o proprietário de um dos carros. De repente, virou em minha direção e disse: Não é um absurdo? Quem é que vai fazer descarga a essa hora? Dei um sorriso amarelo e concordei. Lembrei de um conselho: Melhor não contrariar. Deu minha hora. Entrei.

Sala dos professores, não conheço ninguém. Nunca fui bom em fazer amigos. Biscoito, sempre tem biscoito na sala dos professores, água, banheiro e… surpresa! Cabelos brancos não era um transeunte qualquer era um professor. Sentei no canto e fiquei ouvindo a história contada por ele.

Deve ser por isso que os congressistas brasileiros estão sempre envolvidos em casos de corrupção. Afinal, já que ninguém vai descarregar, por que precisamos obedecer a lei? Não é professor, não é isso que está ensinando?

Bound
photo credit: Tarter Time Photography

2 thoughts on “Na frente da Universidade

  1. Enilda Alves.

    “Nossa!!! Esta doeu Frank!!! 
    Infelizmente,  há muitas coisas que relamente independem do grau de instrução do ser humano.
     Há um dito que não sei a autoria, mas que acho muito verdadeiro e que deveria ser colocado em prática por todos, diz exatamente assim:  “antes de correr em busca de seus direitos… veja até onde cumpriu com os seus deveres”…
    Quase sempre, os que “mais gritam”… o fazem exatamente pela falta de razão!!!

    • frankalcantara

      Oi Enilda, obrigado por ler o Depijama. É duro morar em um país onde até quem deveria dar o exemplo não tem um exemplo para dar…. 🙁 abçs

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