Minerando no Lixão

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Semana passada eu sofri na berlinda em uma mesa de ecologistas de carteirinha, todos amigos e todos leitores de blog. Corria solto o papo sobre a degradação do meio ambiente e as soluções que estão surgindo aqui e ali em ritmo frenético. Há um certo ponto, meio sem pensar e um tanto tonto pelo vinho, saquei uma pérola: Não demora muito e vamos começar a revirar os lixões em busca de matéria prima.

Quase apanhei! Ouvi 20 minutos de argumentos que iam desde doenças até falta de viabilidade econômica. Os quais, ainda no rítmo do vinho, contestei sem pestanejar e, já que estava na berlinda apanhei feito cachorro vadio mas não desisti e cai lutando. E não tardou para que meu ponto de vista fosse o derrotado. Não só derrotado, humilhado, espezinhado…

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Creative Commons License photo credit: chelseagirl

Nada como um dia depois do outro. Ou uma semana.

Saiu hoje no site da ABC uma matéria extensa sobre os estudos que estão sendo conduzidos nos EUA, Europa e Asia sobre adivinhem! A viabilidade econômica de se usar os lixões como fonte de matéria prima. Me sinto vingado.

A premissa é que com a manutenção do preço do petróleo acima dos US$100 o barril, a retirada do plástico que está acumulado nesses reservatórios de dejetos humanos pode vir a ser uma atividade econômica viável. Leia-se lucrativa.  Com alguns benefícios extras e meio que passados, como a utilização do gás produzido pela decomposição natural de resíduos orgânicos e a óbvia recuperação da área.

É claro que ninguém está provando dos prazeres de Baco quando inicia um estudos destes que custa alguns milhões de dólares.

Aqui mesmo, em terras tupiniquins temos algumas iniciativas interessantes quanto a isso.  Basta dar uma olhada no projeto de São Paulo. Mas, na matéria da ABC e na opinião que eu tentava defender, o principal não é o gás. São os plásticos e os metais que estão lá, disponíveis prontos para uso.

Como diria um personagem de desenhos animados da década de 80: Mas eu te disse! Eu disse…

Na verdade, o ponto de vista não era meu, nunca foi. Tratava-se apenas de uma memória reprimida da segunda crise do petróleo. Onde tudo isso que estamos vendo agora em termos de busca de soluções já estava sendo pensado e tentado. Derepente o preço do petróleo caiu novamente e pimba. Voltou tudo a estaca zero. Quem sabe se nessa década, mesmo que o preço caia, com o advento da internet e das novas tecnologias as alternativas de reciclagem e de criação de outras fontes de energia perdurem.

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