Microsoft+Yahoo! / Google: Anúncios na Internet. Qual foi a aula que eu perdi?

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Nunca fui de matar aula. Nunca, nem no segundo grau, nem na faculdade. Nunca. Sempre fui cdf. Fazer o quê? Sou assim. Hoje tenho certeza que perdi alguma aula ou deixei de ler alguma coisa.

Enquanto estava me deliciando com os supostos dados dos faturamentos das empresas de anúncios online e procurando novos programas de afiliação para os blogs da Thyamad e de seus clientes me deparei com um sistema de anúncios que eu não conhecia: Facebook Social Ads.

Uma iniciativa do pessoal do FaceBook para colocar anúncios para os próprios usuários do FaceBook.

Você quer colocar anúncios para… Digamos: pessoas maiores de 47 anos que trabalham na área de administração de empresas do Suriname? Simples use o Facebook Social Ads.

Você quer colocar anúncios para pessoas do sexo feminino, com dois filhos que morem no Chile, falem russo e não trabalhem fora? Simples, use o Facebook Social Ads.

Já entenderam? Simplesmente é o sonho de todos os marketeiros de plantão. Audiência segmentada, caracterizada. Especificada e com acesso garantido.

Humildemente do meu cantinho na Internet… Comprar o Yahoo! Para quê?

O faturamento com os anúncios na internet vêm caindo de forma vertiginosa, junto com eles o faturamento dos sites parceiros. Raras são as iniciativas como as da rede PaperJam que permitem um faturamento decente para os parceiros. Um dos sinais mais claros dessa queda é que quase todos os dias vemos novos modelos de anúncios, com áudio, com vídeo, com gente batendo na porta da sua casa. Esse modelo de negócio está longe de estar definido e tudo pode mudar de hoje para amanhã.

Ainda assim…

A Microsoft optou por gastar um 44 bilhões de dólares para comprar uma empresa que tem praticamente os mesmos serviços que ela. Certamente por causa da marca (muito importante) e por causa da base de usuários (mais importante ainda). Sabendo que a migração não será fácil nem linear e tendo certeza que no meio do caminho vão perder um número significativo desses usuários simplesmente por causa do ruído que essa movimentação está fazendo. Para chegar ao final disso tudo tendo mais do mesmo. Com o agravante que terão que encontrar uma forma eficiente de mesclar esses usuários aumentando o número de Page views e cliques.

Enquanto isso…


O Google começa a se mexer, de forma pouco elegante e muito desastrosa, para colocar água nesse chopp. Quando deveria ter ficado caladinho no seu canto. O número de usuários da Microsoft mais o número de usuários do Yahoo! talvez, veja bem, talvez possa fazer frente ao número de usuários do Google. O primeiro passo lógico dessa junção seria a unificação das empresas de anúncios duas gigantes em uma só.

Economia básica: A primeira obrigação social de qualquer empresa é faturar.

Para que essas empresas possam operar unidas será necessário um estudo profundo de tecnologias/mercados/sucesso de cada uma das empresas até escolher o que seria mais eficiente para ser mantido em cada uma, o que tem que ser modificado e o que tem que ser extinto. O segundo passo seria unificar a base de usuários e serviços. Através de outro estudo destes. Um para cada plataforma.

Até estes estudos estejam prontos o Google terá ganho uns 3 anos de tranqüilidade, sem ameaças a sua posição de líder, com dois competidores se digladiando em uma mesma empresa.

E a princesa Faz jogo duro

O Sr. Jerry Yang deve estar precisando conversar com o Sr.Marc Andersen. Você também não lembra?

O Sr.Marc Andersen é o gênio que criou o Netscape. Lá nos anos 90 do século passado. O Netscape tinha nada mais nada menos que todo o mercado em termos de navegadores para internet os outros não entravam nem nos percentuais residuais. Em torno desse navegador ele criou uma empresa a Netscape, criou um site, vendeu anúncios e, quando a Microsoft lançou o internet Explorer 2 de graça embutido no Windows, vendeu a empresa para a AOL por US$4 bi e uns quebrados e foi fazer coisas mais divertidas.

Compre no SubmarinoA AOL, então uma das maiores empresas de acesso e venda de anúncios na internet viu seu mercado ruir, primeiro o Netscape/ie, depois o próprio Yahoo!, depois o próprio Google!. Depois a AOL “comprou” o grupo Time-Warner por US$ 164bn formando a AOL Time-Warner e aos poucos o negócio internet foi perdendo importância no portfólio da empresa pouco tempo depois a AOL foi defenestrada do nome do grupo e hoje… bem hoje nem entra na equação.

Então Sr. Yang. Venda isso logo. Vá fazer algo mais divertido, como por exemplo, comprar o FaceBook, que está barato, mais o linkedin e fazer com que esse pessoal da Microsoft/Yahoo!/Google provem um pouco do seu próprio remédio. Enquanto você toca água de coco no Taiti. Mas não esqueça que o Myspace o maior concorrente do FaceBook é da NewsCorp o maior conglomerado de notícias do mundo. Não olhei mas imagino que eles devem ter algo parecido com o FaceBook Social Ads por lá.

Update: Ao que parece, quando falei da AOL, estava certo.

4 thoughts on “Microsoft+Yahoo! / Google: Anúncios na Internet. Qual foi a aula que eu perdi?

  1. Olá Frank, achei seu post muito interessante, você abordou vários aspectos das empresas, mas acho que vc pecou em uma parte crucial:

    “A Microsoft optou por gastar um 44 bilhões de dólares para comprar uma empresa que tem praticamente os mesmos serviços que ela. ”

    O Yahoo é o maior portal da internet, com a maior quantidade de segmentos. Dê uma boa olhada na index do Yahoo. Ele tem TUDO!

    E outra, a quantidade de visitas do Yahoo bate qualquer portal da web. Veja no http://www.alexa.org/ . O Yahoo está na primeira posição a muiiiiiiiito tempo.

    Acredito então que o foco da Microsoft seja comprar o Yahoo para inserir o seu sistema de propaganda dentro do conteúdo do Yahoo, conseguindo uma maior(e põe maior nisso) visibilidade e consequentemente um maior número de anunciantes.

    Grande abraço

    Fábio Ricotta

  2. Creio que os caras do google estão fazendo de conta que querem o yahoo para fazer a Microsoft gastar mais por apenas 14% do mercado, quando o próprio google detem 62%. Este gasto pretendido pela Microsoft me lembra os gastos militares americanos na guerra do Iraque, gera retorno em petróleo mas ao mesmo tempo gera uma série de problemas internos e externos, o nível de pobreza lá nunca foi tão alto, a imagem negativa dos EUA está cada vez mais alta. A Microsoft parece o império romano, se expandido em todas as direções até morrer sufocado pelo seu tamanho, está se tornando algo ingerenciável, este é o seu modelo, abraçar tudo até morre a mingua.

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