Microsoft + Yahoo!: Jerry Yang no País das Maravilhas

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Jerry Yang and David Filo, the founders of Yahoo!Image from WikipediaJá faz algum tempo que nada de novo balançava o reino do Yahoo!. Nas últimas semanas tudo que vimos foi uma sucessão de boatos sem fundamento e nenhuma ação. Na sexta-feira, próxima passada o processo de negociação voltou a mídia com os grandes jornais noticiando os novos movimentos dos contendores. Hoje, Jerry Yang está vencendo.

Desde meu último artigo sobre esse assunto, o Sr. Yang entrou pelo buraco da fechadura, tomou chá com o chapeleiro louco e voltou triunfante.

No dia dezoito de março passado a imprensa mundial relatou, a exaustão o plano de recuperação do Yahoo! a idéia geral é aumentar em 73% o faturamento, focando em anúncios, mobilidade e um algoritmos de buscas melhor.

Foi nesse momento que o Sr. Yang foi para o País das Maravilhas.

Eu me dei ao trabalho, na época, de olhar frame por frame da apresentação e ler tudo que os analistas internacionais disseram sobre o plano e, modestamente, acho que eles deveriam ler um pouco da história do futebol brasileiro.

Diz a lenda, que um certo dia um dos treinadores passou uma hora explicando detalhadamente tudo que o time do Botafogo teria que fazer para vencer um determinado adversário. Fulano pela esquerda, Siclano pela direita, cruzamento no Garrincha e gol. No final ele voltou-se para o Garrincha e perguntou: E aí? Entendeu? O Garrincha com sua simplicidade respondeu: Claro! Mas quem vai avisar o outro time como ele deve jogar?

Claramente a divulgação desse plano, em março, era um ato de desespero, a preleção de uma partida de um time só. Não para a mídia, mas para os acionistas majoritários. Então a Microsoft já havia contratado uma empresa para tomada da empresa. Ou, pelo menos era isso que a Microsoft queria que todos acreditássemos, conselho do Yahoo! incluído nesse todos.

O plano, em si, parece que foi realizado para uma demonstração acadêmica. Corretíssimo, bem estruturado, coerente. Só faltam ali os últimos seis anos de decadência, onde essa mesma estratégia levou o Yahoo! a ver suas ações depreciadas enquanto os concorrentes iam ganhando mercado.

Dizer que o foco em anúncios online, mobilidade e melhor algoritmo de busca vai aumentar o faturamento da empresa é a mesma coisa que dizer que se a seleção brasileira jogar bem ganha a copa. O melhor exemplo dos últimos meses do verdadeiro óbvio ululante.

Até aqui Sr, Yang estava tomando chá com a Rainha de Copas e o Chapeleiro Louco, enquanto esperava ansiosamente a chegada de Alice.

O estranho é que funcionou. Esse plano de recuperação de faturamento e a estratégia de soltar todos os serviços possíveis enquanto ganha tempo funcionou. Deve ter convencido algum acionista chave.


Creative Commons License photo credit: DBegley

No último final de semana assistimos: uma reunião da Microsoft com o Conselho do Yahoo! e a divulgação de uma carta da Microsoft dando um ultimato. Ou vende em três samanas ou eu vou para a tomada hostil.

Que feio Sr. Ballmer! Muito feio!

A carta, além de desnecessária é repetitiva. Essa tomada hostil já não tinha começado em fevereiro? Não foi isso que o serviço de relações públicas da Microsoft deixou escapar?

Não? Então naquela época em que se falava da contratação de uma empresa para uma guerra por procurador era só brincadeirinha?

Entendi! O Sr. Yang não tinha entendido da primeira vez, então o Sr. Ballmer resolveu ser mais… Como direi? Enfático.

Foi aí que o chá acabou e o Sr. Yang voltou triunfal.

Até ver essa carta da Microsoft tinha certeza que o jogo já estava decidido. Vã inocência! O Sr. Yang virou o jogo e nem eu, nem a mídia internacional notamos que isso poderia acontecer.

Se a compra hostil já havia começado a carta da Microsoft seria desnecessária. Se vai começar, a carta é desnecessária. A única razão que vejo para essa carta é convencer algum acionista chave que a compra pela Microsoft ainda é a melhor opção para o Yahoo!.

Se for esse o caso, o tiro saiu pela culatra. A carta da Microsoft conta mais pontos para o Sr. Yang que para o Sr. Ballmer. Em um momento destes, leva vantagem que parece mais zen.

Mas a coisa não para aí.

O Yahoo! respondeu. Calma e tranqüilamente. Não falando nada de novo e reafirmado que não tem nada contra a venda, apenas acredita que o preço fixado pela Microsoft é ridículo.

Certo! Eles não falam com essas palavras cruas e despidas de sutileza, mas é isso que eles estão dizendo. Aliás, diga-se de passagem que eles estão dizendo isso desde o começo.

Como eu acredito que do lado da Microsoft existem tantos analistas de negócios quanto do lado do Yahoo! e que a competência dos dois lados deve ser muito próxima, se não a mesma.

Sou forçado a acreditar que a Microsoft desistiu e está jogando para a platéia (seus próprios acionistas) em busca de uma saída menos vexaminosa. Já que deixou vazar, diversas vezes, que não vai rever o valor oferecido. Essas coisas não vazam para eu ver, vazam para os acionistas verem.

Se for esse o caso, o erro foi do próprio Ballmer. Como diria meu velho pai: Cobra não se mata de susto. Ou dá uma paulada ou corre.

Ou o Sr. Ballmer não tem um pau suficiente para matar essa cobra e quer que acreditemos que tem ou descobriu que a cobra tem a cabeça mais dura do que se esperava.

Em qualquer um dos casos o papel que a Microsoft está fazendo perante seus acionistas não está nem perto do satisfatório.

Depois que a oferta foi feita, a Microsoft já perdeu em valor de mercado, mais ou menos o mesmo tanto que ofereceu pelo Yahoo!. Se eu tivesse ações da Microsoft não estaria nada satisfeito com isso. Mesmo que eu acreditasse na compra como uma boa opção para valorizar meu investimento a essa altura do campeonato já estaria considerando a venda das minhas ações.

gráfico das ações do yahoo

 

gráfico das ações da microsoft

Decididamente o segundo tempo desse jogo vai valer o ingresso. Só para ficar com a metáfora inicial. 🙂