Latex – Introdução

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Introdução

Não escrevo nada usando LATEX há muitos anos. Se não me falha a memória, a última vez foi nos idos de 1993. Um artigo que não cheguei a publicar e cujo original em formato eletrônico há muito se perdeu entre os diversos hd’s  que troquei desde então. Com o passar do tempo, como a grande maioria dos usuários de computadores, adotei os processadores de texto gráficos. Primeiro porque escrever fórmulas matemáticas não faz parte do meu dia-a-dia, segundo porque o conjunto todo ficou muito mais simples e agradável.

Apesar do tempo, o LATEX não morreu, está vivo e vibrante na comunidade científica. Descobri recentemente que do grupo de amigos que usava LATEX , eu e somente eu havia abandonado o barco. Não me arrependo. Os textos que escrevo são ricos em imagens e não em fórmulas e, apesar de digitar bem e rápido, sou adepto fervoroso das interfaces gráficas.  Ainda mais recentemente me dei conta que para uma grande parte da população, o LATEX ainda pode ser a melhor opção como ferramenta de edição e preparação de textos. Deixe-me voltar um pouco. Na verdade, deixe-me voltar muito.

latex - uma introdução

Um vislumbre do futuro

Em Maio de 1977, Donald Knuth, um dos magos históricos da computação, professor Emérito da Universidade de Stanford e autor da série The art of Computer Programming (Knuth, 2009), se debruçou sobre um problema interessante: O processamento eletrônico de textos. Era uma época diferente, muito mais simples. O mundo da computação era formado de gigantescos main-frames, caros, lentos e ineficientes se comparados com as máquinas que temos hoje em nossas mesas.

Em Fevereiro de 1977 o Sr. Knuth ficou maravilhado com o resultado da impressão de uma máquina de tipografia de alta resolução (Syropoulos, Tsolomitis, & Sofroniou, 2002). Naquele momento ele percebeu que muito em breve a impressão dependeria única e exclusivamente de bits e bytes. Mais tarde, no mesmo ano, enquanto lutava com a formatação de The art of Computer Programming ele resolveu se dedicar ao tema da tipografia eletrônica e ao processamento eletrônico de textos.

Hoje em dia, não é nenhum bicho de sete cabeças. Fazemos isso todos os dias, eventualmente várias vezes por dia. Escrever um texto e imprimir para distribuição. Mesmo simples e óbvio para a maioria de nós, esse problema pode ser resumido, a título de entendimento e didatismo em quatro passos  (Kopka & Daly, 1999):

  1. A digitação do texto em um computador para armazenamento e edição (correções, acréscimos e modificações).
  2. Formatação do texto em linhas de mesmo comprimento em páginas de um determinado tamanho.
  3. A visualização do texto em um monitor de computador.
  4. A impressão através de uma impressora eletrônica.

Alguns meses de trabalho depois e o Sr. Knuth apresentou o TEX (tau épsilon chi – pronuncia-se TEK) ao mundo.  “Um sistema de tipografia eletrônico cujo objetivo é produzir livros lindos… Usando TEX você será capaz de dizer ao computador exatamente como seu texto será impresso com qualidade comparável as melhores impressoras do mundo” (Knuth D. E., 1991). O Sr. Knuth também liberou to código fonte do TEX eras antes de qualquer pessoa falar em software livre ou código aberto. A licença garante que você pode fazer o que quiser com o código. A única restrição é que você só poderá chamar o resultado do seu trabalho de TEX se ele passar por uma série de testes que o Sr. Knuth também forneceu gratuitamente. O resultado disso é que não importa o sistema operacional que você use, provavelmente existe uma versão do TEX para você.

Com o TEX o Sr. Knuth criou uma versão, talvez a primeira, do que chamamos hoje de linguagem de marcação (markup language) específica para criar livros e documentos tendo em vista, qualidade de impressão, facilidade de edição e digitação.

Uma linguagem de marcação é uma espécie de idioma especial onde incluímos comandos de controle, usando caracteres específicos para separar esses comandos do texto principal. Estes comandos poderão ser interpretados por um programa específico agregando ao texto principal qualidades extras. Tais como detalhes de espaçamento, tipografia e alinhamento. Um bom exemplo de linguagem de marcação é o HTML que é utilizado para a criação de páginas web. O HTML não é nada mais que uma série de comandos de texto simples, limitados pelos sinais de < e >, que determinam como o navegador irá montar (dizemos renderizar) a página web.

Alguns autores se referem ao TEX como uma verdadeira linguagem de programação para a preparação de textos para impressão (Syropoulos, Tsolomitis, & Sofroniou, 2002). Na simplificação do problema do processamento eletrônico de textos o TEX se preocupa apenas com o segundo item, a preparação do texto para impressão e neste quesito ele é imbatível.

Voltaremos à história em alguns momentos. Deixe-me pegar essa história de criar livros e documentos, sem perder de vista a qualidade da impressão, facilidade de edição e tempo de digitação e abrir um parêntese.

Editores de texto WYSIWYG

Não sei se você estava neste planeta mas, de 1977 para cá, algumas coisas mudaram. Os computadores saíram das grandes salas refrigeradas operados por doutores em matemática e foram parar nos bolsos de estudantes, cheios de espinhas e pouco juízo, espalhados por todo o mundo. Programas processadores de texto como o Word da Microsoft, o Write do OpenOffice, para citar apenas dois, são corriqueiros e de operação simples além de permitirem uma grande flexibilidade em criação, edição e formatação de textos. Certo?

Mais ou menos.  A grande verdade é que os editores de texto ditos WYSIWYG (What You See Is What You Get, Aquilo que você vê é aquilo que você obtém) deveriam ser chamado de: Aquilo que você vê é aproximadamente aquilo que você obtém. Sem entrar no mérito da qualidade dos tipos (fontes) que melhorou muito recentemente mas, ainda está longe da perfeição ou dos problemas de posicionamento de imagens que ainda requer doutorado. Vou ressaltar só um problema: Lentidão! Estes editores são muito lentos.

Não me leve a mal, eu conheço muito bem os processadores de texto WYSiWYG. Se compararmos o processo de edição de textos de hoje, com o processo que tínhamos há, digamos, 35 anos, veremos sem sombra de dúvida, que evoluímos de forma inequívoca e assustadora. Da concepção à impressão um texto leva poucas horas, um folder pode ser impresso e distribuído em alguns minutos. Um cartaz rebuscado, colorido e cheio de arte em fica pronto em um dia ou dois. Essa aparente velocidade e facilidade mudou o mundo mas, teve um preço. Estrutura lógica e tempo.

Para o usuário mediano, a atualização constante da tela com tipos e proporções minimamente corretas, gráficos e equações arranjados em tempo real é uma benção. Para o autor de textos técnicos, matemáticos e livros é uma distração desnecessária (Cottrell, 2009). Assim, produzir esse material nos dias de hoje acaba sendo mais lento que na era pós TEX e pré WYSIWYG. Experimente escrever uma dedução de fórmula no Write (ou no Word), trata-se de um trabalho extenuante e frustrante. A coisa simplesmente é muito bonitinha mas não anda. Você coloca uma fórmula e outra sai do lugar, leva dez minutos procurando a letra grega certa e acaba colocando uma parecida. Muda a letra grega e La se vai a formatação. Esta é a principal razão para o LATEX ser tão popular entre os acadêmicos de ciências exatas, precisão e facilidade exatamente no tipo de texto que eles usam com maior freqüência. Ouso dizer que nerd que é nerd só escreve em LATEX e se fosse macho além de nerd só escreveria em hexa. Como ninguém é perfeito, entraram em cena as macros.

Continua….