História da Engenharia Elétrica – Thales de Mileto

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Nossa história começa em uma pequena cidade estado da Grécia antiga, Mileto. Descrita por alguns historiadores como uma poderosa aliada de Atenas nas guerras contra os persas esta cidade teve papel decisivo na difusão da cultura helênica durante o século VI antes de Cristos (Wikipédia, 2015). Ficava na região que os gregos chamavam de Anatólia, ou, em tradução livre, onde o sol nasce. Ao oriente, se preferir. Suas ruinas podem ser encontradas na região de Balat, na Turquia.

Vista de satélite da cidade de Mileto

Ruínas da Cidade de Mileto Fonte: Google (2015)

Seus habitantes, levavam uma vida simples, entre cabras, azeite, vinho e guerras. Ainda que a cidade fosse conhecida pelo seu caráter estratégico tanto para o comércio quanto para a guerra, foi graças aos seus pensadores que entrou para a história e chegou ao nosso tempo.

São atribuídos aos filósofos de Mileto, conceitos complexos como o pandeísmo (Wikipedia, 2015), incorporando deus ao universo, tornando-os uma única entidade. Tirando deus da posição de observador passivo e incluindo sua própria criação no conceito de divindade. Conceito que serviria de base para o pensamento monoteísta que permeia nosso tempo. Um destes filósofos de Mileto é fundamental para a história da engenharia elétrica e entrou para história com o nome de  Thales de Mileto.

Thales viveu entre os anos de 624 e 546 A.C em Mileto mas, não se sabe bem porque, resolveu viajar por todo o mundo conhecido com uma única ambição: estudar. Infelizmente não temos os escritos de Thales, o pouco que sabemos se origina das obras de Diogenes Laertius (Philosophers, 2015), escritos do século III A.C, sobre a história dos principais filósofos gregos e dos ensinamentos de Aristóteles que, frequentemente citava Thales como autor de conceitos como matéria e substância e imortalidade da alma. Aristóteles também atribui a Thales os estudos da astronomia e matemática. Três dos axiomas de Thales chegaram a nós e permitem um vislumbre do seu pensar:

  1. Tudo é feito de água;
  2. Tudo está preenchido com deus;
  3. Magnetos têm alma.

O primeiro deriva do seu estudo da matéria, a água fonte da vida aparece em todas as substâncias. Não é difícil imaginar que Thales tenha percebido a importância da água na vida, suas fases e estados, sendo esta substância capaz de assumir formas tão distintas quanto gelo e vapor. Se deus é o universo então está em tudo e, finalmente, só tendo alma para explicar os efeitos da magnetita sobre o ferro (Lory Lemke, 2011).

A nós interessa saber que, sendo de origem fenícia e de família abastada, Thales pode viajar, conhecer, estudar e divulgar o que descobriu, iniciando, desta forma, o método científico. Cresceu em uma cidade aberta ao comércio e as culturas estrangeiras, convivendo com babilônicos, fenícios e egípcios, acabou por viajar para as suas terras em busca de mais conhecimento. Em seus estudos descreveu detalhadamente as características de duas substâncias: a magnetita e o âmbar.

Talvez seu axioma declarando a existência de uma alma na magnetita seja apenas uma forma de indicar que esta substância atrai o ferro por sua própria ação e vontade, não dependendo da interferência do homem. Observe que isso faz sentido quando lembramos que para ele, deus é o universo. Levante a mão quem tem uma explicação melhor! Não vale nada que tenha sido descoberto no século XX.

Pedras de âmbar em colar

Fonte: Wikipedia (Oliveira, 2004)

Além das experiências com a magnetita e o ferro ele descreveu os efeitos do âmbar sobre cascas de trigo. Descreveu que o âmbar, quando esfregado, atraia pequenos materiais, cascas de trigo, cabelos e fios de algodão.  Não atribui ao âmbar uma alma já que suas propriedades de atração dependem da ação do homem.

O âmbar, seiva fossilizada, de cor dourada, próxima da cor do sol poente, tem uma longa história de apreciação e uso. Pedra bonita e curiosa, fomenta os desejos de homes e mulheres desde a aurora dos tempos. Nós a conhecemos como âmbar, graças a influência árabe na cultura ocidental. Âmbar deriva do árabe anbar (Wikipedia, 2015). Os gregos antigos, deram a esta gema um nome mais romântico, mais afeito aos desejos e prazeres, chamavam-na de pedra do sol ou simplesmente de sol radiante, que em grego tem a grafia (ἤλεκτρον ēlektron). E aqui, começa a eletricidade.

 

3 thoughts on “História da Engenharia Elétrica – Thales de Mileto

  1. claudiomiro goncalves

    adorei e uma historia fantástica e linda. teve muito desenvolvimento no sistema elétrico porque a engenharia elétrica abrange o sistema elétrico . de uns anos pra ca cresce muit e um curso que est em alta apesar de ser muit difícil mais no termino terás muit retorno .

    • Prezado Claudiomiro, fico muito feliz que tenha gostado e agradeço, de coração por ler o Depijama. Sem eletricidade não temos nada no mundo moderno e sem engenheiro eletricista não temos eletricidade. abçs

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