Europa selecionará floss para o “terceiro” mundo

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A União Européia vai patrocinar um estudo de US$ 1 Milhão para identificar as melhores soluções de software livre e/ou código aberto para Africa, Asia e América do Sul. A verba necessária já foi alocada para as treze instituições que vão realizar o estudo.

O estudo será realizado pelo consórcio FlossInclude e terá duração de dois anos, os membros deste consórcio incluem:

O objetivo é estudar o ambiente político-social, técnico e econômico necessário para o crescimento do software livre e de código aberto nas regiões sob estudo.

Observe que não há uma única organização brasileira participante do estudo. Uma das nossas diversas organizações não governamentais ligadas ao software livre e de código aberto deveria, urgentemente, encontrar uma forma de participar deste consórcio.

Eu tento ver esse tipo de iniciativa com os olhos do otimismo. Mas, fico preocupado quando leio “FLOSS provê benefícios numerosos para países em desenvolvimento, tais como baixo custo, adaptabilidade, e ambiente de treinamento livre de custos”, logo no primeiro parágrafo da página do consórcio.

Soa como um bando de políticos tentando aliviar suas consciências dando esmolas para os países subdesenvolvidos que não têm a menor idéia do que o software livre e/ou de código aberto representa em termos de tecnologia para o mundo e das vantagens técnicas e econômicas da sua adoção para países em desenvolvimento ou não. As quais não têm relação direta com o “baixo custo, adaptabilidade e ambiente de treinamento livre de custos”.

O software livre é, ou pelo menos deveria ser, uma opção tecnológica, de controle, transparência e evolução. Não uma opção de “baixo custo”. O custo do software livre é alto. Enganam-se os que pensam o contrário. Me preocupa ver a palavra desenvolvimento, no sentido de produção de software, uma única vez na página do consórcio.

Sejamos otimistas. Vamos participar do estudo, vamos interagir e influenciar os resultados e vamos colocar a parte desenvolvimento em destaque. O software livre e/ou de código aberto só será uma opção tecnológica viável para nosso país quando tivermos um eco-sistema econômico que permita o desenvolvimento local.

Afinal, adianta muito pouco que a caixa esteja aberta se eu tiver que continuar comprando a caixa ou o serviço do carpinteiro.

Notícia Original

Update: Em outra notícia: A União Européia vai investir dezenove milhões de euros em um estudo sobre p2p. Se usarmos os valores como medida de importância…