Então, a Microsoft comprou a Nokia. E daí?

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Hoje é um daqueles dias inesquecíveis. Não por que algo de muito importante tenha acontecido mas por que já de manhã eu ouvi quase 15 minutos de besteira nos rádio jornais. É assim que se chama? Rádio Jornal? Aquela coisa que roda nas emissoras de notícia sem parar, onde na maior parte do tempo eles ficam falando sobre político ladrão, ladrão que não foi eleito e jogadores de futebol?

Enfim, estava eu preso no engarrafamento, forçado a escutar besteiras graças a escolha insana do motorista estacionado do outro lado da rua, na esquina, quando percebi que um comentarista estava avaliando a comprada Nokia pela Microsoft. Primeiro dei graças pelo engarrafamento e pela falta de educação. Depois por que a matéria acabou.

O dito, falou quase dez minutos, sem parar sobre a Apple, a Google (para mim sempre foi o O Google) e a Microsoft. Das opções, das estratégias, das realidades do mercado. De tudo, menos de um dos motivos mais importantes para a compra da Nokia. Hardware e software eram os mercados interessantes no século XX. Neste não servem para nada. O importante é dominar o canal e, infelizmente para a maior parte das empresas o canal está na mão do usuário. Não no bolso, nem na sala, muito menos no colo ou na mesa de trabalho. O canal determina o sucesso, o lucro e a eventual permanência das empresas no mercado.  A Microsoft não tem canal. Se não tiver falirá. Simples assim.

Microsoft adquire a divisão de smartphones da Nokia

Microsoft adquire a divisão de smartphones da Nokia

Análise e estratégia

Quando a Microsoft adquire a Nokia, compra suas patentes (muito importante no século XX), sua tecnologia e, principalmente, seus usuários. Seu canal. Agora, com os portais, os serviços web e aplicativos que já dispõe cria uma infraestrutura de distribuição de conteúdo que pode fazer frente ao Google e a Apple. Ou você realmente acredita que o Google comprou a Motorola só por causa das patentes? Ou que o Facebook está investindo no Home de bonito?

O Google e a Apple dominam a distribuição de conteúdo informacional via internet diretamente na mão, olhos e ouvidos dos usuários do mundo todo. Com grande vantagem para esta última. Basta ver as estatísticas que indicam que o percentual de músicas vendidas via iPod, iPhone e iPad já superam os 78% de todas as músicas vendidas nos EUA. Não é pouco. Acrescente a isso o marketing, e a distribuição de aplicativos e perceberá que o canal é fundamental. O Google tem conteúdo mas seu canal de distribuição está dividido entre dezenas de parceiros (Samsung, LG, Htc, entre outros) cada um criando seu próprio canal. Afinal o sistema operacional que move esta revolução é livre e de código aberto. Esta mesma liberdade, que permitiu o desenvolvimento do mercado, cria uma série de obstáculos a criação de um canal sólido capaz de fazer frente a Apple. A Microsoft não têm canal.

A Microsoft tem conteúdo, serviços online, o Office e, mais importante de tudo o Xbox. Mas, não tinha canal. Agora tem. A estratégia da gigante de Redmond parece ser investir nos milhares de desenvolvedores de Windows que estão espalhados pelas 500 maiores empresas do mundo. Afinal, por que aprender um outro ambiente de desenvolvimento se você pode usar o que já sabe para desenvolver aplicativos móveis. Ainda mais com a qualidade de hardware da Nokia? Imagine se alguém vai pensar algo assim? Será que teremos programadores capazes de defender seus ambientes de programação com o mesmo fanatismo dos torcedores de Futebol? Ou dos fanáticos religiosos? Imagine!

Não ache que concordo com a estratégia toda. Só com  parte dela.

Na verdade a Microsoft está dando um tiro no pé. Mais um desde que a internet surgiu. A contratação do principal executivo da Nokia, segundo dizem por ai, para o lugar do Balmer é equivalente a contração de um fabricante de carruagens para liderar a Ford. O sujeito, por mais competente que seja, está dirigindo uma empresa fadada a falência na economia do século XXI simplesmente por que ele não foi capaz de adequar a sua própria empresa e este novo milênio. Não se esqueçam que, até ontem a Nokia era carta fora do baralho. Sua última esperança eram os telefones da linha Lumia com sistema operacional da (quem diria?) Microsoft.

 

Enquanto isso, nos concorrentes.... foto de Francis Vieira

Enquanto isso, nos concorrentes…. foto de Francis Vieira

 

Resta ainda um fator importante.

A Samsung. Ninguém cria mais problemas para Google, Apple e Microsoft que a Samsung. Sua estratégia parece ser tomar o consumidor a partir da sala de estar. Integrando todos os dispositivos em uma rede sólida capaz de vender conteúdo inclusive via dispositivos móveis de excelente qualidade e última geração sendo lançados antes dos dispositivos da Apple. Mas, a Samsung não tem conteúdo, nem tradição na web, nem fans boys. O que poderia fazer a gigante coreana neste mercado? Bem, se eu fosse eles… compraria o Yahoo! E você, o que faria?

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