A Coisa mais estúpida que ouvi sobre educação nos últimos meses

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Voltava tranquilo e faceiro de carro pelas ruas engarrafadas, e quentes, de Curitiba. Doido para falar mal do Prefeito ou do Governador quando ouvi a Sra. Roseli Sayão dizendo em alto e bom som que estava comprovado que não há relação entre o salário dos professores e a qualidade da educação. Quase tive que ser internado. Resisti por que se caísse na saúde pública de Curitiba nunca mais escreveria nada.

Psicóloga louca diz que salário não tem relação com educação

Referia-se a renomada PSICÓLOGA, a uma específica e determinada pesquisa, realizada em uma cidade pequena do interior, onde, mesmo com salários irrisórios, os professores haviam conseguido altos índices nestas provas que o governo aplica. Que Deus os ajude e proteja!

Existem alguns pontos que devemos considerar…

Uma pesquisa, relativa aos resultados de uma determinada prova, em uma cidade pequena, ou grande, não prova nada. Mesmo que exista continuidade histórica. Há que se entender um pouco de ciência para perceber que este tipo de pesquisa não prova. Apenas destaca um caso que merece análise. E, muito provavelmente, reconhecimento nacional do esforço destes professores, pedagogos e administradores escolares. Que Deus os ajude e proteja! Certamente este será todo o reconhecimento que receberão pelo seu esforço e competência. E, antes que alguém pense o contrário, quando for a minha vez, prefiro minha parte em dinheiro.

Poderíamos, por exemplo, fazer 1.000.000 de pesquisas, exatamente como esta, em cada uma das outras escolas deste país, onde os professores também ganham mal e dizer que, já que o salário do professor é irrisório, insuficiente e vergonhoso, a educação do país é um lixo. E, ainda assim, não provaríamos nada, além do senso comum.

Temos que desculpar a sra. PSICÓLOGA. Acostumada que está com o rádio, acaba vítima do senso comum. E, não tendo nada melhor para falar, fala o que não devia.

Poderia, por exemplo, a ilustre PSICÓLOGA, se limitar a psicologia e deixar a pedagogia para os professores e pedagogos e a economia para os economistas. Ou ainda, poderia voltar a lecionar em escolas públicas ou particulares, para entender a realidade da sala de aula. Que é muito diferente da que imaginamos nos nossos convortáveis escritórios com ar condicionado e cafézinho.

Poderia, também, estudar um pouco o assunto. Se assim tivesse feito, veria que existe sim uma relação forte e positiva entre o salário dos professores e a qualidade da educação. Relação esta que vem sendo estudada e comprovada desde 1950. Cito apenas, a título de curiosidade o trabalho de David Fíglio (ECONOMISTA) de 1998 que usou como universo de pesquisa as escolas públicas americanas e demonstrou que salários melhores provocam uma educação melhor.

De forma nenhuma, desejo que o nobre leitor se perca em detalhes estatísticos. Fique com o senso comum: Escolas com salários melhores atraem melhores profissionais. Melhores profissionais exercem sua profissão com mais qualidade. Em termos mais simples: Ensinam melhor. Exatamente como ocorre nas empresas de engenharia, computação, odontologia e jornalismo. Parou!

Além dos políticos idiotas que não entendem como funciona uma sala de aula e a legislação imbecil que retirou todas as responsabilidades das crianças ainda temos que suportar opinião estúpida em rede nacional.

Aja paciência!

Enquanto isso, seu filho está lá… na escola … com um profissional mal pago. Imagine se fosse seu médico. Imaginou?

Dentro de alguns anos ele será.

2 thoughts on “A Coisa mais estúpida que ouvi sobre educação nos últimos meses

  1. Facilitadoraenilda2008

    Acredito que ao fazer tal comentário a tal renomada psicóloga nem ao menos considerou algo que é inerente a sua atuação, isto é, o fator motivacional e o impacto dos mesmos em quaisquer resultados, independentemente de área de autuação.  O ser humano reage a estímulos… e certamente uma boa remuneração e condições, no mínimo, adequadas são excelentes estímulos para resultados eficazes e fundamentais para educação de qualidade.
    Enilda Alves.

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