Calculando o risco de um derrame cerebral

Standard

Estudo indica as práticas de vida e dados médicos que aumentam a probabilidade de se sofrer um acidente vascular cerebral.

Derrame cerebral, ou acidente vascular cerebral, é uma das possibilidades que mais me assusta. Nem por isso fico andando pelos bares da vida preocupado com o que bebo ou fumo. Acho que deveria. Me preocupo sim, há muito tempo, de forma profissional.

Shine In Your Crazy Diamond
Creative Commons License photo credit: [Marco…]

Um dos produtos da Daysoft, empresa onde trabalho é um sistema de avaliação de risco de saúde voltado para melhoria da qualidade de vida de pacientes crônicos. Nosso primeiro movimento, sempre, é diagnosticar a população que analisamos separando os pacientes crônicos dos pacientes agudos. Determinando para cada grupo um tipo de acompanhamento diferenciado. Temos, é claro, uma equipe de médicos competentes e capazes que fazem este diagnóstico usando nossa ferramenta de cálculo de risco. Minha pequena contribuição é acompanhar os estudos estatísticos na área e converter estes resultados em algoritmos de análise de risco uma vez que o estudo tenha sido validado pela equipe médica. Em resumo, meu negócio e gerenciar a equipe de desenvolvedores que transforma estatística em ferramentas de análise.

Essa semana, o Daily Mail, publicou um artigo sobre um estudo feito com 6000 pessoas recrutadas de 22 países entre 2007 e 2010 que reduziu a dez os fatores responsáveis por 90% dos derrames cerebrais. Não é pouca coisa. São eles:

  • 51.8% – Hipertensão ou pressão  >160/90mmHg
  • 18.9% – Fumante
  • 26.5% – Relação cintura-quadril
  • 18.8% – Fator de risco relativo a dieta
  • 28.5% – Falta de atividade física regular
  • 5%       –  Diabetes mellitus
  • 3.8%   – Alcoolismo ou excesso de bebidas alcoólicas
  • 4.6%   – Estresse psicossocial
  • 5.2%   – Depressão
  • 6.7%   –  Doenças cardíacas
  • 24.9% – Relação entre o colesterol ruim e o bom

O percentual na frente de cada fator indica percentual de avcs causados na população sob estudo primariamente pelo fator da linha. A soma de todos os fatores não dá, nem poderia dar, 90% já que existe uma sobreposição sobre fatores.E aqui, os fatores estão descritos de uma forma leiga, para que você e eu possamos entender. 🙂

O que os cientistas conseguiram

O principal foi reduzir o número de fatores, matematicamente falando é tudo o que interessa. Do ponto de vista da saúde eles destacam que uma atitude positiva para a redução da pressão arterial, a redução no consumo de produtos fumígenos, uma dieta saudável e atividade física regular podem reduzir a praticamente zero a probabilidade de você sofrer um derrame cerebral. A notícia é boa, muito boa.

É claro que, do meu ponto de vista, este trabalho, vai dar o maior trabalho. 🙂 Depois de devidamente criticado pelo nosso corpo médico vai acabar entrando no cálculo estatístico de classificação de pacientes. Fazer o quê? Quanto mais preciso estes cálculos são, menores os custos e maiores as estatísticas de vidas salvas.

O Trabalho Original

O’Donnell MJ, Xavier D, Liu L, et al. Risk factors for ischaemic and intracerebral haemorrhagic stroke in 22 countries (the INTERSTROKE study): a case-control study. The Lancet 2010, Early Online Publication, June 18