Algumas pegadas que vão mudar a história do homem

Standard

Nada é tão interessante que uma nova descoberta arqueológica que coloca em cheque o que sabemos sobre nossa história e evolução.  Já discuti algumas delas aqui, quando um pastor curdo descobriu um templo e mais recentemente, falando de vinho. Volto ao tema, entre afoito, curioso e excitado. Um conjunto de pegadas, achadas na Ilha de Creta, em Trachilos, parecem indicar que pés humanos andaram sobre esta ilha há 5,7 milhões de anos. Tempo em que nossos antepassados deveriam ter pés parecidos com os pés dos grandes macacos e não deveriam andar eretos.

A matéria original, que discuto aqui foi publicada em news.com.au, uma organização de notícias australiana que, até onde me consta, tem reputação de seriedade. Então, podemos considerar a fonte como idônea e fidedigna e trata do artigo científico: Possible hominin footprints from late Miocene (ac. 5.7Ma) of Crete?

A equipe liderada por Gerard D. Gierliński analisou uma série de rastros deixados na margem lamacenta de um rio há 5,7 milhões de anos, fossilizadas, em 2002 e encontrou algumas pegadas curiosas que aparentam terem sido deixadas por algum animal cujo pé teria um polegar grande, redondo, sem garras muito próximo, senão igual, ao pé humano moderno colocando a raça humana, ereta pelo menos 1,5 milhões de anos antes do que que sabíamos. Ou pensávamos que sabíamos.

O estudo é, no mínimo, polêmico. O próprio sr. Gierlinski admite isso no seu trabalho mas, foi feito cuidadosamente e com critério científico. Agora, resta aos pares discutir, e aprofundar o assunto, até que a ciência chegue a um consenso.

Considerando as outras pegadas, os cientistas acreditam que este deve ter sido um caçador, rastreando suas presas em busca de subsistência. Além da data calculada para esta caçada, existe ainda o problema do lugar. Creta está muito longo dos lugares onde acreditamos que existissem hominídeos nesta época.

O estudo tem implicações interessantes, Um hominídeo ereto, muito mais antigo que a nossa espécie pode indicar outra espécie humanoide totalmente desconhecida. Qual teria sido seu destino? Está no nosso tronco? ou em outra árvore? O sr. Gierlinski é cuidadoso na análise e conclusões quando ressalta que as marcas estão longe de serem perfeitas e que pode existir alguma outra explicação mais simples. Eu, por outro lado, vou acompanhar tudo com olhos bem abertos.