A Era da Exploração Interestrelar Começou

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Cientistas da Missão Kepler executam teste de detecção do equipamento e confirmam que o satélite de busca por planetas fora dos sistema solar está pronto para funcionar com resolução dentro do esperado e eficiência total.

A Missão Kepler

Colocado em óbita em março de 2008 o observatório de busca por planetas exosolares – Kepler apresentou ao mundo os primeiros resultados. Ainda em fase de testes o satélite foi apontado para um sistema estrelar com planetas conhecidos e os dados obtidos confirmam a existência do planeta com qualidade e precisão nunca antes conseguidas.

Nos últimos anos a comunidade cientifica, e o público em geral, têm vivido momentos de ansiedade e excitação com a descoberta de novos planetas fora do sistema solar. Até o momento já descobrimos três tipos de planetas: Os Gigantes gasosos, Gigantes de Gelo e as Terras-superquentes.  O desafio é encontrar planetas como a Terra. Planetas que tenham a mesma gravidade, mesma composição, mesma temperatura média, mesmo grau de insolação e radiação. Como diria meu bom amigo o Sr. Spock, planetas classe M. (ok, isso só vale para o Spock mas, não consegui resistir)

vizinhançaPara encontrar nossos primos planetários a Nasa colocou em órbita o dublê de telescópio e satélite chamado de Kleper. O objetivo da missão é explorar nossa vizinhança na Via-Láctea e encontrar, orbitando nossas estrelas vizinhas, algumas centenas de planeta parecidos com nossa amada, única e depauperada, Terra.

Não é uma tarefa simples e nem humilde.

Localizar planetas do tamanho do nosso é um desafio e tanto. O kepler irá observar pequenas variações na luminosidade das estrelas quano um planeta passar na frente dela.  Esse método de deteção é chamado deteção por transito e a variação do brilho esperada serã de menos de um décimo milésimo de parte.

Isso mesmo, você entendeu corretamente. A Nasa vai apontar uma câmera para a estrela e medir variações de brilho de um décimo de milésimo periódicas para localizar planetas como o nosso.

O Equipamento.

kepler O telescópio é essencialmente simples. Consiste de um telescópio de reflexão (Schmidt) com um fotômetro acoplado.

O fotômetro é um conjuto de 42 sensores CCD com aproximadamente 2200X1024 pixesl cada um cuja informação é coletada a cada 3 segundos.

Esse sistema não é projetado para tirar fotografias. De fato as imagens são propositadamente desfocadas em um grau específico para aumentar a precisão fotométrica.

A energia necessária é recolida pelos paínes solares, a única parte móvel na estrutura são os localizadores de estrelas (rastreadores) e as única coisa líquida é uma pequena quantidade de combustível nos módulos de empuxo.

Arquitetura simples e confiável. Afinal tudo o que os cientistas querem é manter o maior e mais preciso fotômetro da Terra apontado para os lugares suspeitos tempo suficiente para avaliar possíveis órbitas planetárias.

O Resultado.

Depois de colocar o equipamento em órbita e efetuar todos os testes de sistemas era preciso apontar o Kepler para alguma coisa conhecida e comparar os resultados. O escolido foi o planeta HAT-P-7b, um planeta conhecido como Júpiter Quente que orbita sua estrela a cada 2,2 dias. Não é exatamente nosso vizinho do lado (está a 1000 anos luz) mas é conhecido há alguns anos e com uma órbita tão curta se tornou o candidato ideal para observação e calibração. O resultado assombrou os mais experientes técnicos da Nasa.

Resultados do Kepler

Já sei, você não achou grande coisa …Então vamos melhorar isso só um pouco. A imagem a seguir mostra uma comparação dos dados do Kepler com os dados obtidos da superfície da Terra para o mesmo sistema estelar.

kepler_ground

Viu a diferença?

Com esses dados os cientistas já descobriram que o HAT-P-7b só tem em comum com Júpiter, seu tamanho. A atmosfera parece ser composta de gases de oxídos de titânio e que não temos nada nem sequer parecido no sistema solar. Lembre, eles apontaram para lá só para testar. 🙂

A Parte Divertida.

Já sei, hoje é sexta-feira e você não está tão afim assim deste monte de detalhes científicos. Então, peque seu filho, a impressora, baixe esses quatro arquivos em inglês e monte seu próprio Kepler de papel.

Kepler_Model_Instructions.pdf (286kB)
Photometer.pdf (44kB)
Photometer_parts.pdf (50kB)
Spacecraft_Base.pdf (45kB)
Spacecraft_parts.pdf (288kB)

Observe que a antena está desatualizada, para ter o modelo correto, simplesmente cole a antena diretamente no satélite.

Ou pode assistir, também em inglês, esse excelente vídeo da nada explicando a missão.