A primeira coisa que um aluno de mestrado deveria aprender

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Um dos maiores e mais entediantes trabalhos de um acadêmico, em qualquer nível, é coletar referências bibliográficas. Nada é mais maçante, extenuante, chato e demorado. No meu último artigo, levei mais de uma semana só procurando, lendo e, a pior parte, fazendo a citação de forma correta. Existem alguns aplicativos para isso. Usava, até pouco tempo, com relativo sucesso o Mendeley.

O Mendeley, é muito bom, se você souber procurar, copiar, colar e organizar sua biblioteca acaba com uma boa coleção de referências que pode ser facilmente incluída nos seus trabalhos. Ponto para ele. Mas, tem um problema: O nível de integração do Mendeley com os artigos e livros em pdf é baixo. A busca é limitada e o levantamento de referências é penoso, para dizer o mínimo.

Esta semana, a última do ano, enquanto reescrevia um artigo, para atender as correções sugeridas pelos professores, descobri o Qiqqa (lê-se quica). Foi amor ao primeiro clique.

A interface não é lá estas coisas, mas as funcionalidades, quanta diferença. Primeiro de tudo é totalmente integrado com os artigos em pdf, então, posso ler um artigo, marcar o que interessa, lançar as informações de bibliografia e procurar em uma dúzia de sites tudo o que preciso na mesma tela.

Levo, em média 20 minutos para encontrar todos os campos da referência de um artigo, colocar nos campos certos e fazer o upload, no Mendeley. No Qiqqa, gasto 2 minutos, isso se o  artigo já não aparecer detalhadinho na busca no Google Scholar, JStor etc… Se aparecer, completo todos os campos com um clique.

Para ser honesto, vou ter algum trabalho. O Qiqqa usa o mesmo arquivo de formatação de referência para o padrão ABNT que é usado pelo Zotero e, vou precisar corrigir uma coisa ou outra… nada demais.  Principalmente por que as funcionalidades de leitura de pdfs, integrados no Qiqqa, além do OCR, exportação da biblioteca, e espaço ilimitado para manter meu arquivo na web gratuitamente compensam esta pequena inconveniência.

Provavelmente vou continuar usando o Mendeley e o Zotero, durante a migração. Afinal, o Qiqqa não é perfeito, por exemplo, falta a integração entre os acadêmicos, algo como uma rede social de pesquisadores, característica do Mendeley.

Por fim, não poderia deixar de falar do Endnote, um dos meus colegas me garantiu que é muito bom mas, infelizmente, não tenho grana para comprar e testar.

Ficamos assim: Usarei o Qiqqa como ferramenta principal, eventualmente exportando a biblioteca e as referências para o Mendeley,  para testar se a rede social de pesquisadores serve para alguma coisa.

Uma última palavra, acabei de instalar o aplicativo móvel do Qiqqa no meu android e, imagine só. Consigo baixar, ler, marcar e encaminhar qualquer um dos artigos que estou lendo diretamente do meu celular.  Não tenho certeza ainda se isto é uma coisa boa, mas é divertido.

Para aqueles que não estão reescrevendo artigos na véspera do réveillon, Feliz 2012.

 

Todo ano é a mesma coisa…

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Chegou o verão, chegaram as chuvas e com eles voltamos a ver o maior outdoor da relação governo – povo deste país. Lá vamos nós de novo assistir um desfile de autoridades (secretários, prefeitos, governadores, ministros e presidente) colocando a culpa no tempo. Deus por que nos manda tanta chuva?

Pegue uma comunidade de risco qualquer e veja se a história é essa: Há décadas uma família pobre, sem ter onde morar pendurou um barraco lá. O prefeito de então, secretário de ocupação urbana de então, secretário da defesa civil de então, deixaram. Depois, outros barracos vieram, viraram casas.A concessionária de energia elétrica levou a luz lá, e as autoridades deixaram. O Secretário de águas e esgoto levou água e esgoto. Depois o correio passou a entregar cartas. A polícia passou a patrulhar o lugar e pronto. Centenas, milhares, de votos. Novos prefeitos, nenhuma modificação. Novos secretários, nem atenção. Deus por que nos manda tanta chuva?

Creative Commons License photo credit: Talita Oliveira

Chegou o verão, chegaram as chuvas.

Na nossa lei existe um conceito, a responsabilidade civil, que pende sobre a cabeça de qualquer cidadão. Significa que você tem que pagar pelos danos causados a outras pessoas pelos seus atos. Imagine que você é um engenheiro e faz um prédio. Trinta anos depois o prédio desaba. Você terá que responder por este desabamento. Terá que provar que não foi sua culpa. E, se tiver culpa, pagará por isso. Mas se for autoridade não. Pode deixar as pessoas construírem comunidades até em cima de viadutos que não tem problema nenhum. Desde que tenha mais cidadãos votando em você.

Poderia ser diferente. A OAB das diretas e tantas outras histórias de honra e direito, poderia, por exemplo, fazer a lista dos prefeitos, governadores, presidentes, secretários e diretores de autarquias que ao longo do tempo permitiram a ocupação da terra e oficializaram a vida das pessoas em comunidades de risco e, processar todos eles por responsabilidade civil. Estas pessoas, como eu e você, que tiveram a honra de ocupar um cargo público, tinham a responsabilidade civil de evitar esta ocupação. Este é o ônus do cargo. A responsabilidade civil, fiscal, financeira e moral de ocupar um cargo público.

Chegou o verão, chegaram as chuvas.

Eu concordo. E você

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Meu primo acabou de me enviar por e-mail.

Já que colocam fotos de gente morta e doente nos maços de cigarros, por que não colocar também: 

  • de gente obesa em pacotes de batata frita,
  • de animais torturados nos cosméticos,
  • de acidentes de trânsito nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas,
  • de gente sem teto nas contas de água e luz, e
  • de políticos corruptos nas guias de recolhimento de impostos?
 
FANTÁSTICA IDÉIA!!!
SE VOCÊ CONCORDA, REPASSE…

stop censorship.
Creative Commons License photo credit: d.loop