Um dia como outro qualquer

Standard

O dia começou moroso. Filho com febre, garganta inflamada, a esposa já cuidando dos seus afazeres e eu, um pouco mais velho que ontem.

Moramos em um bairro distante do centro da cidade, pelos padrões de Curitiba. Um bairro que está crescendo agora, com muitas casas, prédios baixos e muitas ruas íngremes. Moramos em uma destas ruas íngremes. No fundo de nosso apartamento há um bosque. Cerrado, de preservação. Ao redor deste bosque, condomínios e escolas. Duas escolas e no meio o bosque. De preservação. Cerrado.

O dia começou moroso como toda quarta-feira, café da manhã, filho com febre, jornal na televisão e vizinha chorando na porta.

Vizinha chorando na porta? Essa parte não é normal.

Matheus atendeu e veio me avisar que uma vizinha estava chorando na porta e queria falar comigo. Atendi, meio de sobressalto, meio consternado.  Em Curitiba, não é comum as pessoas falarem com desconhecidos. Bater na porta então, nem pensar. Devia ser grave. Pensei no pior.

Começou falando que o marido não estava em casa, e que ela ligara e que ele não podia ajudare que sua casa havia sido invadida por uma coruja. Preciso de ajuda, pontuou.

Fomos. Entre curiosos e apreensivos. Gosto de corujas, admiro até.

Não é minha casa. Casa do vizinho, coruja, mulher em prantos. Meus instintos de caçador, macho alfa a toda. Animal perigoso. A tribo em perigo. Lança em punho. Quatrocentas gramas de violência carnívora.

De volta ao século XXI, o pobre animal estava na sala, empoleirado em uma cadeira da sala. A tudo observando. Certamente tentando entender por que toda aquela agitação.

Coruja invade residência em curitibaPrimeiro foto. Aí do lado. Depois cuidado. Muito cuidado. Um lençol aberto, calma, muita calma.

Cadê a lança? Lembrei… ficou no século I. Mais lençol…

O Lençol é a lança do caçador urbano do século XXI,

Dois minutos depois a coruja voava sã de volta para o bosque.Vai contar essa história para várias gerações de corujinhas.

Já falei? No fundo da minha casa tem um bosque. Cerrado. De preservação.

O dia começou moroso. Filho com febre. Jornal, café da manhã, caça a coruja…

Latex – Como os processadores de textos funcionam

Standard

Em um processador de texto WYSIWYG, como o Word ou Write, o processo de edição e impressão de textos é formado de apenas dois passos:

  1. Escrever, já formatando o texto
  2. Imprimir.

O resultado na tela do computador, o que você vê enquanto está digitando, é muito próximo do resultado que você obterá quando imprimir o documento. Os comandos que definem o formato do texto, dos tipos, dos parágrafos e mesmo das margens são invisíveis para o usuário final. Além disso, o engine que monta o texto na tela já se preocupa em apresentar o texto metaforicamente igual ao produto impresso. O processador de textos também se encarrega de converter o seu texto e os comandos de formatação em alguma coisa que a impressora entenda permitindo a impressão. Simples, belo e você precisa enxergar para fazer isso.

Sun OpenOffice.org Team
photo credit: jcorrius

Desculpe, eu me entusiasmei e saí escrevendo sem prestar a atenção. Pessoas da área de tecnologia da informação, sofredores que são, têm o péssimo hábito de usar palavras em inglês. Não sou diferente, tento me policiar mas, às vezes escapa. Usamos engine (motor em português) para indicar o programa, ou parte dele, que faz alguma coisa funcionar. A parte principal do Firefox, por exemplo, é o engine. Neste caso, o engine é responsável por montar a página na tela.

Aqui temos que fazer um novo parêntese: Até pouco tempo o formato proprietário da Microsoft para textos, o DOC era composto de comandos crípticos comprimidos em um formato proprietário que tornava praticamente impossível para uma pessoa comum, ler os códigos de formatação. Pessoas comuns que me desculpem, os nerds, leram o formato Word e até fizeram alguns aplicativos capazes de ler e gravar nesse formato.

Com o passar do tempo, evolução da Internet e criação de formatos abertos como o ODF, baseados em XML (outra linguagem de marcação) a Microsoft acabou por optar por um formato legível, por seres humanos, para ser usado nos processadores de texto para os comandos de formatação de texto. Este formato é conhecido como OpenXML. Arquivos criados nesse formato pelo Microsoft Word ou criados em ODF pelo OpenOffice Write podem ser lidos por seres humanos, entendidos e modificados sem a necessidade dos processadores de texto. Isso mesmo, você não está maluco.

Vou escrever de novo. Com o passar do tempo os processadores de texto passaram a usar uma linguagem de marcação para definir o formato do texto. Contudo, se você quiser imprimir estes artigos ainda precisará de um processador de textos capaz de abrir, entender e principalmente renderizar – lembra do renderizar? Uma espécie de sinônimo de montar – o texto em um formato metaforicamente igual ao que será impresso e converter esse formato em algo que as impressoras entendam. Simples?

Não se preocupe, ainda vai piorar muito antes de melhorar.

Projeto de código aberto ganha prêmio de 100.000 dólares do MIT

Standard

Ksplice, um projeto de software livre e código aberto, ganhou o prêmio máximo no 20th annual MIT $100k Entrepreneurship Competition (vigésima competição anual de empreendedorismo do MIT).

H23 BB00934850 * ...my $100 'star note'
Creative Commons License photo credit: TheAlieness GiselaGiardino²³

Ovacionado ao final de sua apresentação, os integrantes do Ksplice receberam seu prêmio. Essa frase, em tradução livre consta da matéria original no próprio site de notícias do MIT (Massachusetts Institute of Technology), um dos mais renomados centros de pesquisa de todo o mundo. Não é pouca coisa!!

O Ksplice é um projeto de atualização de softwares sem interrupção do sistema. Por enquanto só roda em linux. O conceito é simples e há muito tempo temos preseguido esse tipo de solução. Os sistemas operacionais baseados no Linux já permitem esse tipo de atulização para a grande maioria dos programas e bibliotecas que usam. Contudo, ainda existem atualizações no kernel e em serviços essenciais que requerem a interrupção do serviço e o consequente reboot.

Esse tipo de parada atrasa a atualização do software até o primeiro minuto disponível, ou comercialmente conveniente. Se você administra uma rede sabe que esperar para atualizar pode ser fatal. A tecnologia que está sendo desenvolvida por eles acaba com isso.

Atualmente, além do software, existe um serviço de atulização automático, gratuíto para o ubuntu 9.04. Este serviço constitui o modelo de negócio deles que os classificou a participar da Competição de Empreendedorismo.

O serviço  Ksplice Uptrack™ foca em segurança e de forma precisa, segura e sem interrupção mantẽm sua máquina atualizada.

Ainda segundo a matéria original, as empresas que venceram este concurso ao longo dos últimos vinte anos já empregaram mais de 2500 pessoas e têm juntas um valor de mercado de US$12 bilhões. Não é pouco!.

Agradecimento: Os editores do site NoticiasLinux.com.br publicaram este artigo do depijama. Obrigado. Sendo um dos sites que leio regularmente, fico orgulhoso e convencido.:)

Vai para casa bola… vai logo

Standard

Hoje é sexta-feira e, se você me permite, gostaria de continuar com a minha campanha: “Dê seu emprego para alguém que mereça!” Para ajudá-lo ai vai mais um jogo irritantemente viciante.

Tudo que você precisa fazer é construir uma ponte para levar a pequena bola vermelha a seu destino (um tronco de árvore), usando para isso táboas ou troncos que estão disponíveis. É claro que a bola não faz o que você quer. Bola má!

jogo flash go home ball

Seja rápido, coloque os troncos com o mouse e acerte a inclinação com as teclas de setas do teclado. Boa Sorte e clique aqui para jogar.

Componentes eletrônicos gratuitos para seus projetos

Standard

A maioria dos estudantes e projetistas brasileiros não sabe disso mas, você pode encomendar componentes eletrônicos gratuitos para desenvolver seus projetos. As empresas de produção, fabricação e desenvolvimento fornecem componentes em pouca quantidade para estudantes ou projetistas com freqüência. Basta Pedir! Por que você não lê este artigo no DePijama?

Atmel ATMEGA168
photo credit: Stoneburner

Tudo o que você precisar fazer é escrever um e-mail com seus dados, os dados do componente necessário e a justificativa. Funciona muito bem se você explicar o projeto onde o componente será utilizado. Dados como quantidade prevista em produção e estágio em que o projeto se encontra facilitam o processo. Informe, por exemplo, se o projeto já está contratado, se existe um cliente ou se é apenas para estudos. Seja honesto e ético, escreva em bom inglês, seja polido e detalhado.

Algumas empresas mantêm uma lista de pessoas que não devem receber amostras e outras mantêm uma lista de bons projetistas. A Texas é um bom exemplo. Pedi um único microcontrolador, uma  única vez, para um projeto pequeno. Coisa de 1000 placas. Recebi a amostra, fizemos o projeto e, enviei a ordem de compra em meu nome. Até hoje, todas as vezes que eles produzem uma versão nova deste microcontrolador, me enviam um chip de amostra. Só pode ser por que estou em alguma lista de “gente boa”… 🙂

Cuidado com as empresas chinesas, eles enviam mas, são muito agressivos no marketing, vão fazer de tudo para acompanhar o  projeto, saber o que você fez com as amostras e tentar ficar em contato sempre. São honestos, rápidos e interessados, mas parece que têm muito tempo livre para escrever e-mails.  Troquei tantos e-mails com um fabricante de matrizes de leds que ficamos amigos. 🙂

Cuidado!  Algumas delas enviarão as amostras a cobrar. Outras cobrarão taxas de manipulação, geralmente abaixo dos US$10,00 então leia com cuidado e peça com responsabilidade.

Leds e displays:

Marktech | Bivar | SunLED | SunLED USA | Sensitron | Philip’s Lumileds | Vishay | Purdy Electronics | Bivar | SunLED | ERG | Fordata |

Semicondutores:

Cirrus | Maxim | Analog Devices | National | Microchip | Philips | Intersil | Agilent |
Fairchild | Infenion | Microsemi | On Semiconductor | Zilog | Linear Technology | Holtek | System General | Central Semiconductors | Pericom | Sensitron | FreeScale | NJR | STMicroelectronics | Texas Instruments | Silicon Laboratories

MIcroControladores:

Atmel | STMicroelectronics | Silicon Storage Technology| Catalyst Semiconductor | Cirrus |
PMC Flash | Ramtron | Texas Instruments

Resistores, capacitores, indutores, transformadores e cristais:

AVX | Meritekusa | Murata Europe | NorthWest Components | Epcos | WIMA | Vishay | Steward | Coilcraft | Bhel Electronics | Wilco | Micrometals | Foxonline | AVX |

Chaves e Relés:

Lamb Industries | Eswitch | APEM | Guanbo | NKK | Screenkeys | Elesta

Conectores e caixas:

FCI Connect | Keystone | Molex | Kycon | Wurth Elektronix | Tyco | 3M | ITW/Fastex | Mill-Max | ON Shore | Sam-Tec | Pacentec | New Age Enclosures | OKW | Hammond MFG | Serpac | MillMax | Heyco | AboveBoard Electronics |

Diversos:

PUI Audio Dispositivos de audio | Melcor Peltier | Catalyst Semiconductor Memórias | Cypress semiconductor Redes Ethernet | FTDIchips USB | AllegroMicro Sensores | CML Micro Wireless | Semtech Dispositivos de Potência | EM Microelectronics RFID

Se você está em um laboratório de desenvolvimento, escola ou universidade, pode pedir manuais e catálogos, a maioria destas empresas possui uma política permanente de impressão e remessa de catálogos e manuais. Infelizmente, algumas delas exigem endereços nos EUA ou Europa para o recebimento de catálogos.  A Amd, que nunca enviou nenhuma amostra, é um bom exemplo, tenho os manuais de todos os microcontroladores da AMD. Eles enviam para um amigo nos EUA e ele me envia uma vez por ano recebo uma caixa com os manuais, me custa USD70,00 de correio.

Latex – Escolhendo seu idioma

Standard

Ficaremos com LATEX2Є, a última versão mantida pelo HTTP:/www.latex-project.org. Escolha pessoal baseada apenas no tamanho da turba. Explico: Existem mais textos e pessoas trabalhando com o LATEX2Є que com qualquer um dos outros idiomas do TEX. Isso somado a minha experiência com software livre e de código aberto me dá a sensação que o futuro da preparação de textos técnicos esteja com esse idioma do TEX. Eu sei, só quem ganha dinheiro com sensação é a Nestlé e as moças de vida nada fácil. Ainda assim, mesmo que eu esteja errado e que, em algum momento do futuro, outro idioma qualquer se destaque na massa os conceitos que você vai aprender aqui, provavelmente continuarão válidos e úteis. Dito isso, doravante vou usar LA TEX para me referir ao LA TEX2Є.

Knuth is My Homeboy!
Creative Commons License photo credit: lumachrome

Estou usando a palavra idioma de forma completamente livre e descompromissada para me referir a uma das versões desta linguagem de marcação criada pelo Sr. Knuth. Se você se sentir mais confortável pode usar versão, sabor, derivado, conjunto ou qualquer outro termo que lhe venha à mente.

O LATEX é muito mais “linguagem de marcação” que o velho formato plain, desenvolvido pelo Sr. Knut, Este formato, ou idioma, foi desenvolvido tendo em vista a formatação de documentos complexos, do ponto de vista do autor e para facilitar a vida deste. O LATEX fornece uma série de comandos que permitem o uso de cabeçalhos, citações, tabelas e figuras flutuantes, numeração de equações e figuras e muitos outros recursos modernos de diagramação sem que o autor tome conhecimento do que é necessário fazer para aplicar estes estilos. Pronto, usei uma nomenclatura de editor WYSIWYG. Não fique aborrecido comigo, foi só para facilitar o entendimento.

O LATEXtambém permite o uso de classes extras com funcionalidades interessantes que não estão incluídas no pacote original. Essas classes agregam praticamente tudo o que você imaginar em termos de formatação, exportação ou manipulação de documentos.

Segundo Intel está quase pronta a geração dos 22 nanômetros

Standard

Hoje, durante o Intel Developer Forum, Paul Otellini, CEO de Intel, apresentou o bolachão da nova tecnologia que está sendo desenvolvida pela Intel e que deverá estar nos computadores a partir de 2010

intel tecnologia de 32 nanometrosApenas dois anos depois de ter apresentado a tecnologia de 32 nanometros, que estará a venda em 2010 a Intel dá mais um salto na compactação de circuitos. Trata-se de um chip de microprocessador usando tecnologia de 22 nanômetros chamado de shuttle test chip composto de 2.9 Bilhões de Transisitores (high-k metal Gate) organizados na forma de 364 MBytes de SRAM e circuitos que serão utilizados na nova geração de microprocessadores.

Dados interessantes:

Tamanho de um átomo: Podemos dizer, a grosso modo, que um átomo tem o diâmtro de 100pm ou, que cabem 220 atomos no gate deste transistor. Dá para contar.

Transistores high-k metal Gate: Uma das mais promissoras e mais pesquisadas tecnologias de fabricação de transistores do momento. São compostos com grande constante dielétrica que apresentam alta performace em tecnologias NMOS e PMOS.

22 nanômetros: Não é o diâmetro do transistor, como muitos pensam, trata-se apenas da largura do gate em um transistor de tecnologia mos. Fator decisivo para a miniaturização do mesmo.

Não vejo a hora de compar um processador de 10 nanômetros.:)

O Latex entra na história

Standard

O LATEX entra na história

Ninguém é perfeito. Além de não entender hexa a absoluta maioria da população mundial detesta trabalho. Trabalho extra então… nem pensar! Percebendo que boas intenções não bastam e que digitar algumas centenas de caracteres desnecessários no texto principal só para obter o efeito desejado no documento impresso não seria, nem uma boa estratégia de marketing, nem um forte argumento a favor do uso do TEX, o Sr. Knuth dotou-o da capacidade de usar macros.

Macros são conjuntos de caracteres armazenados que podem ser chamados com poucos toques no teclado. Esses conjuntos de caracteres – já posso chamar de macros? – Facilitam a digitação e a preparação dos textos. Documentos compostos de um conjunto destas macros com um objetivo específico é chamado de formato.

O próprio Sr. Knuth criou um formato, o plain, que foi muito popular durante algum tempo e ainda hoje tem muitos seguidores (deveria ter dito fervorosos torcedores em uma referência aos hooligans). Com macros ou sem macros, com fanáticos ou sem fanáticos, o TEX é excessivamente complexo e, eventualmente, prolixo.

Em 1985 entra em cena Leslie Lamport  (Lamport, 2009), enquanto planejava um novo livro acabou criando um novo formato para o TEX com um conjunto de macros que acrescentava diversas funcionalidades ao sistema e tornava a preparação do texto mais simples e direta. O Sr. Lamport usou o engine e sistema de macros do TEX para criar uma descrição declarativa de um documento baseado na linguagem de marcação Scribe, desenvolvida 1982 por Brian Reid (Mittelbach & Goossens, 2004).

Em 1986 esse trabalho foi publicado no livro LATEX: A Document Preparation System e, mais tarde deu origem a um projeto web chamado HTTP://www.Latex-project.org onde colaboradores do mundo inteiro ajudam a manter as macros e a expandir a linguagem mantendo-a moderna e eficiente.

O Scribe foi muito importante para o desenvolvimento da tecnologia de processamento de texto por ser a primeira vez que alguém criou uma linguagem de marcação que separava a estrutura do texto de seu formato. Algo que ainda hoje perseguimos avidamente vide HTML e CSS. Há aqui uma interessante relação histórica entre Brian Reid (Reid) e o movimento do software livre ainda em sua fase embrionária. Na primeira versão comercial de um editor de textos baseado no Scribe, o Sr. Reid concordou em colocar algumas funções de tempo que desativariam as versões gratuitas do Scribe o que criou uma celeuma com Richard Stallman.

A idéia central do Scribe e do LATEX é que o autor deve se preocupar apenas com o conteúdo e com a estrutura lógica do seu texto e não com detalhes de formatação e aparência. Este foi o ponto chave para a aceitação do LATEX

Uma vez publicado o LATEX se tornou um dos idiomas mais utilizados do TEX. Com o advento do software livre e de código aberto, do Linux e da internet o LATEX foi expandido, e é hoje uma das melhores, se não a melhor opção para preparação de textos científicos. A versão atual do LATEX é a LATEX2Є a qual será alvo deste texto.  Mesmo com a larga vantagem comercial que os processadores WYSIWYG possuem por atender a grande maioria dos usuários e sendo adepto dessa tecnologia gráfica resolvi escrever este texto e voltar ao LATEX. Por quê?

Marys Venus Heart
photo credit: h.koppdelaney

A grande maioria dos usuários não basta

Não uso látex há muito tempo. Comecei este texto assim e não disse por que resolvi voltar a usar. A razão é simples: a grande maioria dos usuários não basta.

Os editores WYSIWYG possuem um problema intrínseco e irremediável que torna o LATEX a melhor opção para uma parcela significativa da nossa sociedade. Não! Não estou falando dos cientistas malucos até por que o percentual destes não é tão alto. O problema a que me refiro é o S de WYSIWYG.

Este S representa o See (ver). Os editores WYSIWYG foram projetados e otimizados para pessoas capazes de enxergar, os videntes, e temos uma parte significativa da nossa população que simplesmente não vê, os não videntes. Para estes, além dos cientistas malucos, o LATEX é a melhor solução.

Coisa difícil mas, vamos ser honestos. Tirante os deficientes visuais e a cambada das Exatas, ninguém precisa do LATEX. Ou será que essa frase ficou excessivamente petulante? Esta é a pergunta de 10 capítulos e você terá que ler todos eles… J

Continua…

E você acha que sua máquina é segura

Standard

Recentemente escrevi sobre recuperação de senhas (passwords) de administradores em Windows e Linux, impressionado que estava com a inocência que ainda cavalga entre nós, profissionais de TI. Hoje, vou falar um pouco das bios. Alguns entre nós ainda acreditam que a primeira e mais efetiva linha de defesa contra um indivíduo mal intencionado, que tenha acesso físico a uma máquina, seja a senha da bios.

Esta senha, comum na maioria das bios, impede que as configurações ali gravadas sejam alteradas e, em alguns casos, impede que o sistema seja iniciado. Para que fosse realmente eficiente, a senha alí gravada, não poderia ser alterada de forma nenhuma. Se assim o fosse, quando a senha fosse perdida, junto com ela iria a motherboard. Desde sempre, os fabricantes de bios e motherboards optaram por manter soluções alternativas de recuperação ou reset desta senha.

Login
photo credit: Mirko Macari

Senha Mestre
Muitos fabricantes usam senhas mestres para suas bios. São senhas de, digamos, administradores de bios. 🙂 que não são divulgadas para o público em geral e estão disponíveis apenas para a torcida do flamengo. Minto. Só para os que sabem fazer uma busca no Google. Vamos e convenhamos a grande maioria da torcida do flamengo não sabe do que estou falando. 🙂 Não funciona sempre, mas funciona muitas vezes. Eventualmente as senhas são trocadas de geração em geração de bios. Primeiro veja o fabricante da sua bios, depois a versão e então procure. Para poupar tempo:

Ami Possibilidades: A.M.I., AAAMMMIII, AMI?SW , AMI_SW, BIOS, CONDO, HEWITT RAND, LKWPETER, MI, PASSWORD.

Award Possibilidades: 8 espaços, 01322222, 589589, 589721, 595595, 598598 , ALFAROME, ALLY, ALLy, aLLY, aLLy, aPAf, award, AWARD PW, AWARD SW, AWARD?SW, AWARD_PW, AWARD_SW, AWKWARD, awkward, BIOSTAR, CONCAT, CONDO, Condo, condo, d8on, djonet, HLT, J256, J262, j262, j322, j332, J64, KDD, LKWPETER, Lkwpeter, PINT, pint, SER, SKY_FOX, SYXZ, syxz, TTPTHA, ZAAAADA, ZAAADA, ZBAAACA, ZJAAADC,

Phoenix Possibilidades: BIOS, CMOS, phoenix, PHOENIX.

Cuidado: Algumas bios travam completa e absolutamente se a senha errada é digitada mais de três vezes.

Violar uma máquina é um trabalho minucioso. Se realmente precisar fazer isso, compre uma motherboard igual e descubra, lendo o código da bios, o código que deverá ser gerado por sua senha para que o sistema a identifique como senha mestre.  Será um código em hexa. Uma vez descoberto esse código, tudo o que você precisa é encontrar a sequencia de caracteres que gera esse código. Procurar no google é mais simples!

Software para recuperação de senhas

Pessoas bem intencionadas, dispostas a ajudar os administradores de sistemas distraídos de todo o mundo criaram softwares para a recuperação de senhas de bios. Obrigado, ficamos muito felizes com isso!

Alguns destes softwares funcionam por força bruta. O programador conhece a estrutura da bios e sabe onde está armazenado o código da bios e gera uma seqüência de caracteres equivalente. Não tenha dúvida, a senha está armazenada em algum lugar. Tudo o que você precisar é saber onde e como ou, usar um software que faça isso para você.

Dois softwares muito bons para isso são o !BIOS e o CmosPwd.  Ambos farão o serviço para você na maior parte das vezes. Infelizmente só funcionam se você conseguir, de alguma forma, dar boot nas máquinas.

Usando o Telefone

A maior parte dos fabricantes de máquinas mantém uma lista de senhas mestras para cada máquina vendida. Isso é verdade para a Dell, IBM e HP para citar apenas alguns. Assim tudo o que você precisa para resetar a bios é a nota fiscal ou o código de cliente e ligar para o atendimento eletrônico. A Acer parece ser a exceção a regra. O serviço técnico exige que a máquina seja levada a uma assistência autorizada e cobra para resetar a senha.

Usando o hardware

Como último recurso você pode retirar a bateria que mantém a bios. Na imensa maioria das vezes, todos os dados da bios, incluindo a senha serão perdidos e a bios voltará para seu estado padrão. Permitindo acesso a toda a configuração.

Essa técnica tem apenas um problema. Se você já abriu a máquina, precisa da bios para o quê? Tire o hd e leia em outra máquina. 🙂

Por fim…

Lembre-se que esta não é uma ciência exata. Você conseguirá ou não dependendo do fabricante, versão da bios e popularidade da placa. Pode procurar no google ou ler essa página em inglês com dicas. Contudo, a única forma infalível é comprar uma motherboard igual e debugar a bios para saber o que e onde alterar. Como disse antes é trabalhoso mas, existem casos onde compensa.



Eu estou aprendendo Mandarim e você?

Standard

A China vai dominar o mundo! Todos os dias vemos afirmações como essa de “especialistas” em comércio mundial e “especialistas” em China. Falam como se fosse uma novidade ou alguma coisa imprevisível. Todas as vezes que ouço isso me lembro de uma cena de um filme antigo, gravada em minha memória com todas as cores e sons.

Pandas!! (GIANT PANDA/WOLONG/SICHUAN/CHINA)
photo credit: Chi King

Nesta cena um avô de filme americano está pescando truta (flyfishing) e o neto, também tipicamente americano, pergunta: – Vô não dói? Fura a boca do peixe. Não dói? E o avô calmamente responde: – Claro que não, o peixe tem sangue frio, não dói nadinha. E sorrindo completa: -Só lembre que não foi um peixe que me disse isso! Um sorriso sínico de quem tem anos de estrada e não se surpreende mais. Com a china, se dá o mesmo.

A China vai dominar o mundo! Esta frase jogada no ar me incomoda, aborrece, como se fosse uma pedra no sapato. Está ali. Pequena, discreta, às vezes me esqueço dela. Mas, está lá. Um passo mal colocado e dói. Incomoda. Essa semana resolvi tirar a pedra do sapato ou pelo menos, colocá-la em um lugar mais confortável.

Conversei com os poucos amigos que tenho por lá e fiz uma pesquisa na internet em sites em inglês de lá e de cá e recolhi alguns dados que me convenceram que no caso da China, se perguntar se dói o peixe dirá que não. Não dói nadinha. E sorrirá.

O sistema educacional

 

Antes de 1949, 80% dos Chineses era analfabeto,

Na era imperial, antes do advento da República Popular da China, 80% ou mais dos chineses era completamente analfabeto. Então contávamos a população da China na casa do 500 Milhões. Um dos programas de Mao, implantados com a paciência, cortesia e respeito aos direitos humanos que lhe era característica, simplesmente levou esses percentuais ao nível de irrelevância.

Segundo a UNICEF  o percentual de analfabetos entre o jovens chineses é menor que 1% (15–24 anos). Há aqui um pequeno pequeno problema, quantizar a quantidade de jovens alfabetizados é um jogo de adivinhação e palpite. Os números que nos dariam uma noção de tamanho com relação à china retirados dos censos oficiais são, para dizer o mínimo, inconsistentes.

Devido ao tamanho territorial, falta de infra-estruturar, tradição rural e programas de controle de natalidade ninguém tem certeza de quantas pessoas vivem na China. As pessoas no grande setor rural, simplesmente preferem esconder suas famílias em um turbilhão de estratagemas  a se submeter aos controles do governo. Ainda assim, se tomarmos como base os números da UNICEF, esse dado: “menos de 1%”, representa alguma coisa como 600 milhões de pessoas jovens, totalmente alfabetizadas mais que toda a população da China antes da revolução.

Trata-se de um peixe enorme. Esse índice foi conseguido com intenso investimento governamental, o estado absoluto, investindo pesado em educação.

A Educação privada só foi permitida na China, nos anos 80. Ao contrário dos EUA e de alguns países da Europa, cuja educação é fortemente calcada na iniciativa privada isso só começou na China junto com a década de 80. Mais ou menos quando o Muro de Berlim caiu, levando o comunismo com ele e forçando a China a olhar para o ocidente como única opção para ver o futuro.

Claramente o fator “público/privado” não faz grande diferença nos índices de analfabetismo. Os chineses conseguiram isso garantindo que Todo cidadão chinês deva ir à escola por pelo menos nove anos, Onde eu escrevi garantindo entendam que eles ainda usam os mesmo métodos de cortesia, paciência e cuidado que são lendários no trato do cidadão comum que persistem desde os tempos imperiais, via comunismo de Mao e até hoje. Os cidadãos são forçados, para o bem ou para o mau, em um sistema de educação onde a Pré-escola dura três anos.

Iniciando aos três anos de idade e terminando aos seis os estudantes chineses seguem um programa curricular na pré escola que dá ênfase em jogos, dança, musicalidade e nos valores de verdade, gentileza, pontualidade e beleza. Acreditam que essa fase é fundamental para a formação da personalidade e dos valores que os guiarão pela vida. Formar caráter antes de formar conhecimento.

Vou ressaltar verdade e pontualidade. Olhe para nosso próprio sistema educacional e veja se descobre um programa educacional para crianças nessa idade que incluam explicitamente estes valores. Eu procurei muito antes de achar uma escola para meu filho onde a primeira frase da diretora foi: Aqui acreditamos em formar pessoas honestas e responsáveis. Oh! Deus, confesso, adorei ler isso sobre a China, andava só e descobri que não estou tão só assim.

Escolas técnicas são chamadas de vocacionais

O ensino fundamental é dividido em duas categorias: O que chamávamos de primário e hoje é o ciclo básico é composto do estudo de Mandarim, o idioma comum, matemática e idiomas estrangeiros. Ao final deste ciclo as crianças realizam um teste vocacional que determina o caminho que deverão seguir no próximo ciclo.

O próximo ciclo pode ser técnico e específico ou generalista. Em todos os dois casos os estudantes estudarão ciências físicas e humanas o que difere é o foco. Nas escolas vocacionaisos estudantes são treinados para trabalho técnico de nível médio, construtores ou fazendeiros. As outras escolas preparam os alunos para a faculdade com uma visão mais generalista do conhecimento.

IMG_0775.JPG
photo credit: Wootang01

As escolas vocacionais estão, em sua maioria, localizadas em zonas rural. Lá, como aqui, a ideia é permitir acesso a melhores condições de vidas a imensa população de desfavorecidos do sistema econômico.Para isso uma educação simples e objetiva para criar uma grande massa trabalhadora.

Aqui graças ao capitalismo selvagem que não deixa dividir o bolo mesmo depois de crescido. Lá graças à falência das ideias de comunismo e divisão igualitária. Do ponto de vista de quem passa fome, o sistema econômico não faz a menor diferença. Emprego faz.

Estando na zona rural ou não, todos os estudantes devem passar pelo teste vocacional depois de passar, em média, 9 horas por dia na escola (07h30min até 16h30min), O rendimento é controlado pelo estado. Aqueles que falham em atingir os níveis mínimos terão o inigualável prazer de ver o suporte governamental para sua educação simplesmente cessar.  Nesse nível o governo subsidia a maior parte do custo da educação e adota a polícia de cobrar uma pequena taxa a título de tutela.

Mesmo com todo este esforço, a educação rural ainda é um problema, principalmente na pré-escola. Na China a área rural é um planeta a parte.

As comunidades são milenares, pequenas, fechadas e tradicionalistas, forçando o governo a adotar medidas alternativas para educação infantil nestes cantões. Além da tradição o governo tem que enfrentar a oposição aos métodos de controle populacional e a endemia do suicídio de esposas que deixa dezenas de milhares de crianças em situação extremamente complicada e a aversão dos anciões por novos idiomas para educar as crianças. Mandarim, o idioma comum a toda China, ainda é coisa nova na maior parte do país.

Uma das opções que o governo está adotando para combater a distância e a tradição é usar a televisão para levar a educação aos pontos mais remotos do país. O canal de televisão estatal (China Education Television Station – CETV) leva o programa Sala de Aula no Ar a 40% de todas as escolas do país ou, aproximadamente 100 milhões de estudantes.

No ciclo básico os alunos têm direito a 13 semanas de férias e feriados durante o ano, alunos do ciclo correspondente ao nosso antigo ginásio têm direito a 12 semanas por ano enquanto os alunos das escolas de nível médio, nosso antigo segundo grau gozam 11 semanas por ano de férias e feriados, nada muito distante do que temos aqui em terras tupiniquins. A diferença está nos números. Enquanto aqui temos 200 dias letivos por ano com 4 horas por dia, em média. Na China eles chegam a ter 288 dias de aulas com 9 horas por dia, um estudante médio fica na escola aproximadamente 1800hs por ano contra 800hs aqui. Agrave isso considerando que são 200 dias letivos, festas, homenagens e reuniões diversas são considerados dias letivos mas, não são dias de aulas.

Outro aspecto interessante é a Educação especial até 1985, tanto os alunos super dotados quanto os que requerem atenção especial para suprir alguma deficiência eram ignorados. Desde então já foram abertas 1540 escolas de educação especial em um extremo e no outro.

Meio milhão de engenheiros todos os anos

Preparing for Battle
photo credit: parhessiastes

Para entrar na faculdade todos os alunos fazem um prova sobre o controle do Ministério da Educação. Prova esta, tão disputada, que leva alguns estudantes a estudar até 16hs por dia, ainda assim, a cada ano, aproximadamente, MEIO MILHÃO DE ENGENHEIROS terminam a faculdade e vão para o mercado de trabalho. Não se engane, o foco do governo não está apenas na formação dos jovens. Desde 2002 o ministério da educação o Ministério de Educação está aumentando as taxas de Educação superior para adultos. Hoje existem 607 instituições para adultos atendendo 2.2 Milhões de pessoas em um único programa.

Os números envolvidos nestes programas são assustadores e mostram a intenção clara de atingir patamares relativos qualidade e quantidade equivalentes, ou superiores, aos dos países mais desenvolvidos do mundo. Aliás, há quem diga que eles pretendem atingir esses níveis no ano de 2010.

O governo Chinês não está preparando a sua população para dominar o mundo. Isto não está nos planos deles, nunca foi falado, aventado ou mesmo pensado. Eles não tem pressa. Essa coisa de comunismo é muito nova. Cinquenta anos. Não é nada na história do país. O que eles estão fazendo é melhorando a qualidade de vida do cidadão comum. Usando por vezes métodos nada ortodoxos. O sujeito vai melhorar de vida na marra ou perde o trem. Coisas que não imaginamos no mundo ocidental. Se continuarem tendo o mesmo êxito que tiveram até agora dominar o mundo será apenas um efeito colateral.

Eu estou aprendendo Mandarim. E você?