Experiência com gelo seco para o fim de semana

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Época difícil esta em que estamos todos presos dentro de casa graças a gripe suína. Não dá para fugir da gripe mas você pode fugir do tédio.

A experiência deste video não contém perigo nenhum e vai deixar seu filho estupefato durante umas duas horas. Tempo suficiente para uma soneca no sábado a tarde.

Você vai precisar de um pouco de gelo seco, água, uma tigela plástica, detergente de louça e uma tira de pano.

A Era da Exploração Interestrelar Começou

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Cientistas da Missão Kepler executam teste de detecção do equipamento e confirmam que o satélite de busca por planetas fora dos sistema solar está pronto para funcionar com resolução dentro do esperado e eficiência total.

A Missão Kepler

Colocado em óbita em março de 2008 o observatório de busca por planetas exosolares – Kepler apresentou ao mundo os primeiros resultados. Ainda em fase de testes o satélite foi apontado para um sistema estrelar com planetas conhecidos e os dados obtidos confirmam a existência do planeta com qualidade e precisão nunca antes conseguidas.

Nos últimos anos a comunidade cientifica, e o público em geral, têm vivido momentos de ansiedade e excitação com a descoberta de novos planetas fora do sistema solar. Até o momento já descobrimos três tipos de planetas: Os Gigantes gasosos, Gigantes de Gelo e as Terras-superquentes.  O desafio é encontrar planetas como a Terra. Planetas que tenham a mesma gravidade, mesma composição, mesma temperatura média, mesmo grau de insolação e radiação. Como diria meu bom amigo o Sr. Spock, planetas classe M. (ok, isso só vale para o Spock mas, não consegui resistir)

vizinhançaPara encontrar nossos primos planetários a Nasa colocou em órbita o dublê de telescópio e satélite chamado de Kleper. O objetivo da missão é explorar nossa vizinhança na Via-Láctea e encontrar, orbitando nossas estrelas vizinhas, algumas centenas de planeta parecidos com nossa amada, única e depauperada, Terra.

Não é uma tarefa simples e nem humilde.

Localizar planetas do tamanho do nosso é um desafio e tanto. O kepler irá observar pequenas variações na luminosidade das estrelas quano um planeta passar na frente dela.  Esse método de deteção é chamado deteção por transito e a variação do brilho esperada serã de menos de um décimo milésimo de parte.

Isso mesmo, você entendeu corretamente. A Nasa vai apontar uma câmera para a estrela e medir variações de brilho de um décimo de milésimo periódicas para localizar planetas como o nosso.

O Equipamento.

kepler O telescópio é essencialmente simples. Consiste de um telescópio de reflexão (Schmidt) com um fotômetro acoplado.

O fotômetro é um conjuto de 42 sensores CCD com aproximadamente 2200X1024 pixesl cada um cuja informação é coletada a cada 3 segundos.

Esse sistema não é projetado para tirar fotografias. De fato as imagens são propositadamente desfocadas em um grau específico para aumentar a precisão fotométrica.

A energia necessária é recolida pelos paínes solares, a única parte móvel na estrutura são os localizadores de estrelas (rastreadores) e as única coisa líquida é uma pequena quantidade de combustível nos módulos de empuxo.

Arquitetura simples e confiável. Afinal tudo o que os cientistas querem é manter o maior e mais preciso fotômetro da Terra apontado para os lugares suspeitos tempo suficiente para avaliar possíveis órbitas planetárias.

O Resultado.

Depois de colocar o equipamento em órbita e efetuar todos os testes de sistemas era preciso apontar o Kepler para alguma coisa conhecida e comparar os resultados. O escolido foi o planeta HAT-P-7b, um planeta conhecido como Júpiter Quente que orbita sua estrela a cada 2,2 dias. Não é exatamente nosso vizinho do lado (está a 1000 anos luz) mas é conhecido há alguns anos e com uma órbita tão curta se tornou o candidato ideal para observação e calibração. O resultado assombrou os mais experientes técnicos da Nasa.

Resultados do Kepler

Já sei, você não achou grande coisa …Então vamos melhorar isso só um pouco. A imagem a seguir mostra uma comparação dos dados do Kepler com os dados obtidos da superfície da Terra para o mesmo sistema estelar.

kepler_ground

Viu a diferença?

Com esses dados os cientistas já descobriram que o HAT-P-7b só tem em comum com Júpiter, seu tamanho. A atmosfera parece ser composta de gases de oxídos de titânio e que não temos nada nem sequer parecido no sistema solar. Lembre, eles apontaram para lá só para testar. 🙂

A Parte Divertida.

Já sei, hoje é sexta-feira e você não está tão afim assim deste monte de detalhes científicos. Então, peque seu filho, a impressora, baixe esses quatro arquivos em inglês e monte seu próprio Kepler de papel.

Kepler_Model_Instructions.pdf (286kB)
Photometer.pdf (44kB)
Photometer_parts.pdf (50kB)
Spacecraft_Base.pdf (45kB)
Spacecraft_parts.pdf (288kB)

Observe que a antena está desatualizada, para ter o modelo correto, simplesmente cole a antena diretamente no satélite.

Ou pode assistir, também em inglês, esse excelente vídeo da nada explicando a missão.

Para sair do medíocre e enxergar além do seu nariz

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Navegando sem destino na internet e revendo antigos bookmarks encontrei uma pérola para seu fim de semana. Um site só com documentários. Infelizmente só em inglês.

carl

São documentários históricos, recentes, políticos, técnicos e científicos com uma síntese do conhecimento humano nos últimos 10000 anos em forma de programas de televisão. Coisa para aprender enquanto cria raízes em torno do sofá.

Convenhamos, sem aulas e com gripe suína, você não tem nada melhor para fazer mesmo….

Aqui em Documentary Heaven A foto deste artigo é do documentário Cosmos mas você encontrará também A sinfonia inacabada de Einstein entre outros.

Wolfram|alfa por Wolfram

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O mais interessante motor de busca dos últimos anos explicado pelo gênio que criou o Mathematica e o próprio Wolfram|alfa.

Como diria meu amigo Jack: Vamos por partes!

wolframO Mathematica, se você não estudou ciências exatas, é um software de simulação algébrica. Ou pelo menos começou assim há 33 anos. Hoje, é uma plataforma de desenvolvimento de algoritmos que permite desde a solução de equações simples até complexas simulações de matemáticas de previsão do tempo ou inteligência artificial.

Há bem da verdade, o Mathematica é um daqueles softwares que fez história, tem uma fama e qualidade inegáveis mas que você simplesmente não precisa mais. Você pode usar, por exemplo, o SCILab, um programa de código aberto e gratuito com as mesmas capacidades do Mathematica e pode ser utilizado com os mesmos propósitos, com o mesmo trabalho, com os mesmos resultados e sem nenhum custo extra.

Se você me permitir, serei honesto, só um pouco para não acustumar. Um grande amigo meu, doutor em matemática que já estudou e trabalhou tanto com o Mathematica quando com o SCILab me garantiu que o último é 85% compatível com o primeiro. O SCILab, inclusive, roda muitas das simulações do MathLab diretamente sem nenhuma alteração. Muitas, mas não todas.

O Wolfram|Alfa, por outro lado, não é exatamente um site de busca. Trata-se de um sistema novo, nunca visto anteriormente de buscar e sitentizar informações diversas sobre tópicos. Pode, por exemplo, encontrar citações baseadas em referências, valores de elementos químicos, informações diversas sobre metais, distância entre cidades, previsão do tempo, clima, evolução de equações etc… etc… etc… Nenhuma relação com o que fazermos no Google nem com a Wikipédia. Algo novo. Relacionamento semântico de informações.

Talvez seja o primeiro site público e aberto que realmente consegue extrair informações interessantes de forma semântica. Só vendo para entender.  Para fazer o artigo sobre o Lítio, eu fiz uma busca por Lithium, clique aqui e veja o resultado.  Deu para entender? Não? Então tente os exemplos do próprio Wolfram|Alfa. Não se preocupe, você vai gastar algum tempo até entender este serviço mas, não é este o propósito deste artigo. Não quero ensinar a usar o Wolfram|Alfa.

Toda essa introdução foi apenas para indicar um link para uma aula online do próprio Wolfram ensinando como usar o serviço e explicando os conceitos envolvidos no desenvolvimento.

A aula pode ser encontrada no VideoLecutres em inglês e vale o tempo que custa se você está no mercado internet. A aula, observe que eu escrevi aula, é dada pelo próprio Stephen Wolfram.

Trekkies regozijaivos 2: Um passo mais próximo do Holodeck

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Está acontecendo em New Orleans a Siggraph deste ano.  A Universidade de Tokyo está apresentando a primeira versão do que, um dia será conhecido como Holodeck.

Na Siggraph de 2008, os pesquisadores da Universidade de Tokyo,Masafumi Takahashi, Kei Nakatsuma, Hiroyuki Shinoda apresentaram uma técnica de display baseado em ultrassons direcionados que criam um campo de pressão ultrassônico que permite ao usuário sentir o espaço vazio usando o tato e interagir com um computador através destes estímulos.

Não entendeu? Simples, os caras concentraram um feixe de ultrassom em uma região do espaço esse feixe estimula sua mão e você o sente. Quando você muda o angulo dos feixes, por exemplo movendo sua mão, o computador percebe. Viu? Simples!

Agora eles resolveram dar um passo além.

Usando um projetor lcd sobre um espelho côncavo eles projetaram imagens em 3d sincronizadas com os feixes de ultrassom. Ou seja, você pode ver, sentir e interagir com objetos em 3d que não estão fisicamente na sua mão.
Holodeck?

O cara depijama diz que este projeto está para os holodecks assim como as calculadoras eletrônicas de tubo nixie para o computadores atuais. O cara depijama é muito otimista e está de bom humor hoje.

Um paper, em inglês, com mais detalhes pode ser visto aqui.

Registro burocraticamente detalhado do holocausto

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Encontraram mais de 60 milhões de documentos do holocausto na cidade de Bad Arolsen. Este arquivos ficaram escondidos do público por 60 anos agora estão sendo estudados e o repórter Scott Pelley da rede estadounidense CBS esteve lá.

meninos em campo de concentração nazista

Encontrou mais de 50 quilômetros de estantes cheias com 50 milhões de páginas de documentos contendo 17 milhões de nomes de pessoas que foram brutal e sadicamente assassinadas com detalhes burocráticos tais como dia, hora, minuto forma de execução e, em alguns casos fotos detalhadas das atrocidades.

Com precisão germânica os arquivos estão catalogados de acordo com o tipo de executado. Judeu, católico, homosexual, etc.. Entre as atrocidades agora documentadas estão as comemorações dos aniversários de Hitler. Nestas datas separavam-se 30 pessoas e durante uma hora, matavam um a cada dois minutos a tiros de revolver.

Sessenta anos após, um século completamente novo, milhares de sobreviventes e testemunhas oculares de dezenas de nações e ainda existem aqueles que propagam a idéia de que o holocausto nunca existiu.

Você pode ver a reportagem na íntegra, em inglês, aqui. Se entender, não deixe de assistir. As imagens são chocantes e os fatos impressionantes mas passe por isso. Essa é uma forma de lembrar o quê um grupo de fanáticos levados ao poder por um regime democrático representativo pode fazer.

Nada muito diferente do que fizemos na inquisição, na revolução francesa, nos regimes autoritários da URSS, Vietinan e América do Sul. Nada que a humanidade não esteja disposta a repetir. Talvez, só talvez, se estudarmos documentarmos e discutirmos esse tipo de coisa criemos as salvaguardas necessárias para impedir que esse tipo de coisa aconteça.

Notícia Original

O Lítio, a Bolívia e mais uma oportunidade para a América Latina

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A maior parte das baterias modernas são baseadas em compostos reagentes de lítio tornando esse metal uma das commodities mais valorizadas e com maior potencial de mercado. As maiores reservas conhecidas até o momento estão na América do Sul. A maior ainda não explorada está na Bolívia

Oportunidade para a Bolívia - Lítio

 photo credit: Libertinus

O Salar de Uyuni deve ser a coisa mais próxima do nada que a natureza criou. Um imenso deserto de sal vazio, sem uma árvore, sem vida aparente, apenas um nada enorme feito de sal. Está assim desde que o conhecemos, desde o tempo dos Incas e provavelmente estaria assim eternamente não fosse um pequeno detalhe: Enfie uma pá no chão e encontrará água saturada de sal e lítio.

Com reservas conhecidas de 5,4 milhões de toneladas, só no Salar de Uyuni, segundo o programa de recursos minerais estadunidense a Bolívia está para o lítio assim como o Iraque está para o petróleo.  Oportunidade única para um dos países mais pobres do continente, não fosse o tempo.


 photo credit: Myself248

A General Motors, a Toyota, a VolkWagem e a Honda estão entrando no mercado americano com carros híbridos, ou totalmente elétricos, com grandes baterias de compostos salinos, polímeros ou ligas contendo lítio. Além disso, há alguns anos o metal reina absoluto em laptops, mp3 players, celulares, aparelhos de barbear e toda a traquitana moderna que usa baterias recarregáveis.

As universidades e institutos de pesquisa estão em uma corrida louco para encontrar a melhor combinação de lítio com qualquer coisa, para fazer a bateria que dure mais, carregue mais ou acumule mais energia em uma busca frenética para aumentar a eficiência das traquitanas que carregamos no bolso. O resultado disso é que existem hoje mais de 50 tipos diferentes de baterias usando o Lítio em seus elementos e que o consumo do metal branco, pálido e leve atingiu níveis estratosféricos. A produção mundial de 2008 exemplifica bem a situação atual:

País Produção em 2008 Reservas Reserva Base
Argentina 3200 —- 6.000.000
Australia 6900 170.000 220.,000
Bolivia —- —- 5.400.000
Brasil 180 190.000 910.000
Canadá 710 180.000 360.000
Chile 12,000 3.000.000 7.520.000
China 3,500 540.,000 1.100.000
Portugal 570 —- —-
EUA 1000 38.000 410.000
Zimbabwe 300 23.000 27.000

Sem tecnologia para explorar as reservas de Lítio, o Governo Evo Morales tem afirmado internacionalmente que deseja criar joit-ventures com empresas estrangeiras sem abrir mão da soberania nacional e fomentando o desenvolvimento da Bolívia. Uma atitude que poderá, a longo prazo, trazer prosperidade e desenvolvimento aos Bolivianos. Existem empresas japonesas, francesas e norte americanas na mesa de negociação mas, o processo está emperrado graças ao histórico de quebras de contratos da Bolívia, as novas exigências do governo e a relutância internacional.

O problema histórico de instabilidade governamental e de quebras de contratos, notadamente de exploração de recursos naturais (salitre no século XIX e gás no século XXI, para citar apenas dois) está dificultando a troca de tecnologia de mineração e inviabilizado a instalação de negócios com capital externo no país. Até que impasse seja decidido, o governo criou uma estação mineradora para pesquisas no Salar de Uyuni.

reservesNa América latina temos dois exemplos de uso de recursos naturais para o desenvolvimento do país: O sucesso da Petrobrás que se tornou uma das maiores empresas do setor, sem permitir a grilhagem estrangeira e, recentemente recebeu investimentos de 10 bilhões de dólares chineses para a exploração do présal e a Pemex do México que usou praticamente 100% dos seus recursos para alimentar o governo e se encontra sem reservas e sem folego para expansão, sufocada pelo Nafta.

A Bolívia poderia partir para um modelo baseado no modelo da Petrobrás mas o tempo urge e a concorrência ruge.

O Chile, cujas reservas de Lítio provavelmente são maiores e estão no deserto de Atacama, região anexada ao estado Chileno graças a guerra do salitre. Provocada por uma quebra de contrato do governo Boliviano, segundo os livros de história chilenos e pela ganância do Chile segundo os livros de história bolivianos. A guerra começou graças a um contrato de exploração por industrias chilenas do salitre boliviano, se estendeu até o Perú e terminou com a vitória do Chile. Hoje este mesmo território já está explorando e produzindo Lítio de boa qualidade, a baixo custo e em grande quantidade.

A concorrência doméstica, se podemos falar assim, não é limitada ao Chile, a Argentina e Brasil cujas reservas ainda não foram sequer documentadas também são produtores e entraram na corrida pelo lítio.  Com vantagens para o Brasil que apesar de ter uma produção muito pequena, além de explorar o lítio, já produz baterias de alta tecnologia e já está desenvolvendo alternativas comercialmente viáveis.

A oportunidade da Bolívia fica cada dia mais distante graças aos avanços da tecnologia o reinado do lítio esta para ser abalado. Contudo, há uma esperança.

O lítio tem uso medicinal em várias mazelas. Não que se saiba como ou porquê ele funciona. Pode ser usando para combater problemas hormonais, dedo sangrando e distúrbios bipolares. Existem até cidades estadunidenses querendo incluir o Lítio na fórmula da água potável para combater os distúrbios bipolares ou maníaco depressivos.

O cara depijama acredita que a demora do governo Evo Morales vai condenar o Salar de Uyuni a ser exatamente o que ele é há milhares de anos: Um grande e belo nada.

Dados do International Lithium Alliance